Cepal: petróleo e alimentos reduzirão crescimento na América Latina em 2009

O crescimento da América Latina em 2009 será o mais baixo em seis anos, e não deve superar os 4% devido aos altos preços do petróleo e dos alimentos, estimou o secretário executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), José Luis Machinea, em entrevista à AFP.

AFP |

"O impacto maior poderá ser sentido até o fim deste ano e no ano que vem. Tudo leva a crer que a região crescerá menos em 2009 do que cresceu este ano", disse Machinea, em entrevista concedida à margem do 32º período de sessões da Cepal, que acontece nesta semana em Santo Domingo.

"O crescimento deste ano vai ficar em torno de 4,7%. Para 2009, é difícil que a região cresça acima de 4%. Haverá uma desaceleração", afirmou.

As economias latino-americanas, que em 2007 avançaram em média 5,7%, sofrerão as conseqüencias dos altos preços do petróleo e dos alimentos, embora a curto prazo a tendência seja que consigam se estabilizar, acredita Machinea.

"Os altos preços do petróleo e dos alimentos vieram para ficar, mas isso não significa que vão se manter nos níveis atuais. Teremos um ponto alto e eu pensaria que nos próximos meses algo deve diminuir", apontou.

O preço dos alimentos subiu em média 16% na América Latina no último ano, provocando um aumento da inflação de cerca de 10%, depois de seis anos de baixa sustentada.

O menor crescimento projetado para 2009 - e o mais baixo desde 2003 - afetará as áreas mais vulneráveis da região e fará aumentar o número de pobres e indigentes. Para ajudar, a Cepal recomenda aos governos que estabeleçam subsídios diretos, ao invés de medidas mais gerais.

"Nossa posição é de que é necessário aumentar os subsídios aos setores com menos recursos. Temos que focar os subsídios que já são distribuídos", disse o chefe da Cepal.

"Mais vale aplicar subsídios diretos do que baixar o preço de todos os aliemntos para todo mundo, o que também beneficia as classes média e alta", explicou.

Machinea propõe, por exemplo, estabelecer subsídios para o transporte público, ao invés de baixar o preço da gasolina.

"Se algo deve ser feito com o preço dos combustíveis, creio que sim, mais vale fazê-lo com o trasnporte público, através de algum subsídio específico, do que subsidiar o uso da gasolina para os senhores que possuem veículos utilitários", afirmou.

Machinea recomendou ainda transferir o aumento dos preços para os consumidores, mas de forma gradual.

"Temos que transferir esses preços aos consumidores, mas isso deve ser feito de maneira gradual, tentando não golpear os setores com menos recursos", concluiu.

O aumento dos preços dos alimentos aumentou o número de indigentes em três pontos percentuais: de 12,7% a 15,9%, o que significa mais 15,7 milhões de latino-americanos considerados pobres, segundo dados da Cepal. De acordo com esses cálculos, o número de pobres passaria assim dos atuais 189,5 milhões a 204,5 milhões.

pa/bl/ap

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