Cepal diz que Haiti deve investir em políticas para crianças

Santiago do Chile, 15 fev (EFE).- A necessidade de um modelo de proteção social universal para crianças é o pilar fundamental para a reconstrução do Haiti, informa um relatório divulgado hoje pela Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal).

EFE |

"Apenas 2% das meninas e meninos haitianos menores de cinco anos recebem educação pré-escolar, sendo frequentemente seus irmãos maiores os responsáveis pelo cuidado enquanto as mães trabalham", detalha a análise da Cepal.

O estudo intitulado "A economia da educação infantil no Haiti", acrescenta que menos de 1% das mães com trabalho remunerado deixam seus filhos em creches infantis.

No Haiti, a família é a principal responsável pela educação das crianças, seguida por crianças maiores que trabalham nos lares, amigos ou vizinhos, diz o organismo internacional.

"A tendência de meninos e meninas assumirem a responsabilidade de cuidar de terceiros, inclusive seus irmãos menores, é uma prática generalizada no Haiti", afirma a Cepal. Segundo o estudo, quase 60% do mercado de trabalho infantil haitiano corresponde a meninas dedicadas ao cuidado.

Na opinião da Cepal, as políticas estatais para o cuidado da primeira infância são muito fracas. Além disso, as condições de pobreza extrema na qual vive a vasta maioria da população não só impedem a escolaridade de crianças e jovens, mas também causou a desintegração das famílias, diz o relatório.

A transnacionalização das famílias por causa das urgências econômicas é aproveitada por traficantes de todo tipo, inclusive o tráfico sexual, alerta o estudo, coordenado pela empresa de consultoria haitiana Nathalie Lamaute-Brisson.

Esta publicação servirá para levar em conta o papel crucial das mulheres na economia e nas políticas de reconstrução do Haiti, destacou a secretária Executiva da Cepal, Alicia Bárcena.

"Um dos pilares da reconstrução do Haiti deve ser políticas sociais orientadas a facilitar a proteção infantil, evitando que ela recaia exclusivamente sobre as mulheres", recalcou Bárcena.

A situação social do Haiti agravou-se com o terremoto de 12 de janeiro passado, que devastou o país. EFE mc/sa

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