Cepal defende mais ajuda contra crise alimentar

Por Manuel Jiménez SANTO DOMINGO (Reuters) - A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal, um órgão das Nações Unidas) disse na quarta-feira que os países doadores deveriam ampliar sua cooperação para o desenvolvimento internacional, como forma de mitigar os efeitos da atual crise alimentar sobre a região.

Reuters |

Em um relatório de trabalho, a Cepal lembrou que os países desenvolvidos assumiram há anos o compromisso de destinar 0,7 por cento de seu PIB à ajuda internacional.

O texto, assinado por Daniel Titelman, da Unidade de Estudos do Desenvolvimento da Cepal, menciona novas fontes de financiamento --como impostos e fundos globais-- que ampliariam a disponibilidade de recursos para o desenvolvimento.

'A Cepal recomenda melhorar a eficiência na destinação e gestão da ajuda oficial e integrar eficientemente os países de renda média no sistema de cooperação internacional, tanto em seu âmbito de receptores de ajuda como na cooperação sul-sul', disse o relatório, apresentado numa reunião ministerial iniciada na terça-feira.

Citando dados recolhidos até 2007, o relatório diz que metade da ajuda internacional se destina à Ásia e 30 por cento ao Oriente Médio, enquanto a América Latina fica com apenas 8 por cento.

O estudo também estabelece uma diferença entre as necessidades de países de renda média-alta e média-baixa, e diz que é preciso melhorar não só o volume, como a eficácia da ajuda distribuída à região como um todo.

O relatório também cita os efeitos das mudanças climáticas e como a partir de 2005 os desastres naturais praticamente dobraram na região, especialmente na América Central e Caribe, com enormes prejuízos humanos e materiais.

'Se é para enfrentar a sério as consequências da mudança climática, isso vai exigir enormes demandas técnicas e de financiamento, bem como novos investimentos na matriz de produção energética, nos programas destinados à produção de energias limpa', disse Titleman.

De acordo com o documento, o nível de ajuda proporcionada pelos países do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD) da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE, clube de países desenvolvidos) é o maior desde 1997, mas ainda está muito distante do 0,7 por cento do PIB, meta estabelecida no chamado Consenso de Monterrey.

A Cepal diz que só 5 dos 22 países alcançaram a meta dos 0,7 por cento, 'de modo que é preciso realizar maiores esforços para conseguir que os demais, cuja contribuição média equivale a 0,34 por cento do PIB, alcancem o nível de ajuda definido'.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG