Centro-direita derrota socialistas em Portugal

Oposição vence as eleições legislativas. País está mergulhado em uma crise financeira e enfrenta alto índice de desemprego

iG São Paulo |

O Partido Social Democrata (PSD, centro-direita) venceu as eleições legislativas realizadas neste domingo em Portugal, derrotando os socialistas no poder e obtendo a maioria absoluta no Parlamento, segundo apontam as pesquisas de boca de urna.

De acordo com três pesquisas realizadas pelas TVs portuguesas, o PSD obteve entre 37% e 42,5% dos votos, contra entre 24,8% e 30% para o Partido Socialista, do primeiro-ministro José Socrates.

AFP
Passos Coelho, do PSD, vota na eleição em Portugal, na manhã deste domingo
O PSD, liderado por Pedro Passos Coelho, provável sucessor de Sócrates, deve ficar com entre 102 e 121 deputados, sobre o total de 230 no Parlamento. Segundo as pesquisas, o bloco de direita somará entre 119 e 149 cadeiras.

O Partido Socialista reconheceu, logo após a divulgação das pesquisas de boca-de-urna, sua derrota nas eleições legislativas antecipadas realizadas neste domingo em Portugal.

O ministro da Economia interino, José Antonio Vieira da Silva, compareceu perante a imprensa em um hotel em Lisboa onde estão reunidos os dirigentes e simpatizantes do Partido Socialista para admitir a vitória do Partido Social Democrata nas urnas.

Crise econômica

Os portugueses foram às urnas neste domingo para eleger um novo governo que conduza a nação durante um período de profunda austeridade e recessão, depois que o país recebeu um socorro financeiro de 78 bilhões de euros da União Européia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A eleição deve acabar com um período de incerteza política que começou com o colapso do governo socialista em março e que fez com que Lisboa se tornasse o terceiro país da Zona do Euro a procurar ajuda, depois da Grécia e da Irlanda.

Os portugueses, que enfrentam o seu mais alto nível de desemprego em três décadas, rejeitaram o primeiro-ministro José Sócrates nessa eleição antecipada e optaram pelo candidato da oposição, de centro-direita, o social-democrata Pedro Passos Coelho.

Passos Coelho, que votou em Amadora, nos arredores de Lisboa, onde havia mais repórteres presentes do que eleitores, disse que Portugal precisa cumprir as regras da ajuda para poder recuperar a confiança do mercado e retomar o seu crescimento.

"Vocês sabem que teremos um período muito difícil para os próximos dois ou três anos. Mas tenho certeza que faremos as mudanças necessárias e que Portugal vai viver um novo período de prosperidade com crescimento econômico, nos próximos dois ou três anos", disse aos repórteres. "Só teremos confiança do mercado, se nos comprometermos com o memorando de entendimento feito com a UE e o FMI", disse, acrescentando que esperava obter um "excelente resultado" na eleição.

Participação baixa

A jornada eleitoral foi tranquila em Portugal, mas com uma participação inferior em relação as eleições legislativas de 2009. Após oito das 12 horas de votação, 41,98% dos eleitores contra o 43,3% foram às urnas em comparação com as eleições anteriores, cuja abstenção final foi de 40,3%.

Enquanto isso, as praias dos arredores de Lisboa estavam lotadas enquanto muitos colégios eleitorais da capital nem sequer formavam filas.

Mas em outras zonas do país, as pessoas não foram à praia e enfrentaram o mau tempo que impediu muitos portugueses de comparecerem às urnas.

* Com informações da AFP, Reuters e EFE

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