Centro de refugiados é desalojado para servir de colégio eleitoral em Mianmar

Bangcoc - Soldados birmaneses desalojaram um centro de refugiados pelo ciclone Nargis para usar suas instalações como colégio eleitoral no plebiscito constitucional de Mianmar (antiga Birmânia), que será realizado no próximo dia 24 nas áreas devastadas pela catástrofe.

Redação com agências internacionais |

AFP
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Milhares ficaram desabrigados com ciclone
Fontes da dissidência informaram nesta quinta-feira que o acampamento acolhia cerca de 60 pessoas que perderam suas casas em um subúrbio de Yangun, a antiga capital.

Membros da milícia Associação para o Desenvolvimento e Solidariedade da União (USDA) continuam recolhendo votos antecipados para o plebiscito, uma medida inicialmente pensada para os idosos e desvalidos, mas agora "recomendada" ao resto da população.

"Somos obrigados a entregar nossa cédula, certamente com o 'sim' ao projeto constitucional. Isso não é nenhum segredo", comentou um morador de Yangun à rádio "Mizzima".

A USDA, uma milícia de aproximadamente 24 milhões de filiados auspiciada pela Junta Militar, é usada pelo regime para intimidar opositores e colaborou ativamente na repressão dos protestos a favor da democracia de setembro.

Seus membros patrulham as ruas das principais cidades do país armados com cassetetes e varas para bater em monges, estudantes ou outros ativistas, e habitualmente organizam atos "espontâneos" de respaldo ao regime.

"Os generais querem se agarrar ao poder e não ajudam os desabrigados pelo ciclone", afirmou outro morador de Yangun, a maior cidade do país.

Novo ciclone

A ONU advertiu nesta quarta-feira sobre a possibilidade de formação de outro ciclone no norte do mar de Andaman e que poderia entrar pelo sul de Mianmar (antiga Birmânia) nas próximas 24 horas.

O Centro Conjunto de Alerta de Ciclones, que pertence à ONU, disse que "a formação de um grande ciclone tropical é possível".

"Os ventos na área podem chegar a 46 km/h e 56 km/h", precisou o Centro Conjunto de Alerta de Ciclones.

passada chuvas no sul de Mianmar, região devastada pelo ciclone "Nargis", a partir de hoje e que durariam aproximadamente três dias.

Embora os ventos ainda não cheguem a formar um furacão - categoria que se caracteriza quando os ventos alcançam 120 km/h -, o sul de Mianmar terá fortes chuvas nos próximos três dias, como a Organização Meteorológica Mundial tinha previsto na semana passada.

A porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU Amanda Pitt disse, em entrevista coletiva em Bangcoc, que um novo ciclone prejudicaria todas as operações em andamento e poria em risco os desabrigados.


Mianmar está localizada no sudeste asiático

"Isso terá impacto na capacidade das pessoas de sobreviver. Já estão debilitadas. É um grande problema", afirma Pitt.

Destruição

As autoridades locais afirmam que a passagem do ciclone já deixou 38.491 mortos e 27.838 desaparecidos. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que as vítimas fatais podem chegar a 100 mil, e que mais de 200 mil pessoas estão desaparecidas.

A situação no sul do país, onde os organismos humanitários só conseguiram ter acesso a 300 mil desabrigados em 12 dias, pode se agravar nas próximas 24 horas com a aparição de outro ciclone na região, como advertiu hoje o Centro Conjunto de Alerta de Ciclones, ligado à ONU.

Segunda a Ocha, os quase dois milhões de desabrigados precisam de alimentos, roupas, água potável, remédios e condições sanitárias adequadas.

A ONG Oxfam International calcula que o número de mortos pode aumentar em até 15 vezes nas próximas semanas, caso os afetados não recebam água potável e remédios.

O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, viajou hoje a Yangun para se reunir com membros da Junta Militar e tentar convencê-los a permitir uma maior entrada de ajuda estrangeira no país.

Sundaravej também levou centenas de telefones via satélite encomendados pelos birmaneses.

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) realizará em 19 de maio, em Cingapura, uma reunião ministerial especial para tratar do problema de Mianmar, país que faz parte do bloco regional e que, em 2005, se comprometeu a colaborar com as tarefas de resposta aos desastres naturais.

Além de Mianmar, a Asean é integrada por Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã. Hoje, a junta autorizou a entrada de especialistas do bloco para ajudar as vítimas.

Entenda mais:

                  Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones


(Com informações das agências Reuters, AFP e EFE)

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