Central de Fukushima se prepara para chegada do tufão Ma-on

Alerta surge em meio a novas denúncias de venda de carne contaminada com radiação por duas redes de supermercado

iG São Paulo |

A operadora da usina nuclear de Fukushima prepara medidas para evitar que o tufão Ma-on, que deve afetar a zona nos próximos dias, aumente o volume de água radioativa na unidade, informou nesta segunda-feira a rede NHK.

Para isso, a Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da usina, deve colocar nesta segunda-feira um teto provisório sobre o prédio de turbinas do reator 3, cuja cobertura foi perfurada por uma explosão de hidrogênio pouco depois que o terremoto e o tsunami de 11 de março danificaram seriamente a unidade.

O telhado metálico foi desenhado para tapar o buraco e evitar que as precipitações aumentem ainda mais a quantidade de água radioativa que se acumula nas instalações, um dos principais empecilhos para resolver a crise.

A operadora também desligou provisoriamente a condução hidráulica que envia água radioativa para uma grande plataforma flutuante ancorada em um píer perto da central, perante as grandes ondas que o tufão deve provocar.

A Tepco disse que espera transferir para esse tanque cerca de 8 mil toneladas de água contaminada nos próximos três ou quatro meses.

Ma-on, segundo tufão da temporada no Pacífico e qualificado como muito forte pela Agência Meteorológica do Japão, afetará a partir desta segunda-feira as ilhas meridionais de Kyushu e Shikoku, com ventos de até 144 km/h, precipitações de entre 50 e 70 milímetros por hora e ondas de entre nove e 12 metros.

Segundo as previsões da Agência Meteorológica japonesa, os efeitos do tufão poderiam começar a ser sentidos em Fukushima a partir de terça-feira.

Carne contaminada

O alerta pelo tufão surgiu em meio a novas denúncias de venda de carne contaminada com radiação. Duas redes de supermercados japoneses anunciaram nesta segunda-feira que venderam carne bovina da Província de Fukushima, onde fica a usina nuclear e onde os animais foram alimentados com ração contaminada por césio radioativo.

A empresa Ito-Yokado admitiu ter vendido 41,7 quilos dessa carne a dois estabelecimentos de Chiba (ao leste de Tóquio), enquanto Aeon disse ter distribuído 12,6 quilos do produto a clientes de seus supermercados em Nagóia e Hyogo (centro do Japão), informou a agência Kyodo.

Autoridades do Japão e empresários rastreiam os cortes procedentes de mais de cem vacas, depois que no fim de semana fossem detectados outros 84 exemplares de cinco fazendas de Fukushima alimentados com ração contaminada.

Os proprietários das granjas admitiram não saber da ordem emitida pelo governo em 19 de março para não utilizar ração armazenada no exterior, diante da possibilidade de contaminação pelas emissões da central de Fukushima.

Pelos cálculos da agência Kyodo, já são 143 os animais expostos ou sob suspeita de terem sido expostos ao césio radioativo, depois que em 10 de julho se detectaram pela primeira vez níveis desse isótopo radioativo acima do permitido na carne de seis vacas procedente de Fukushima.

Reuters
Gado que cresceu na Província de Fukushima é apresentado para leilão em Motomiya, Fukushima, Japão (12/07)
A carne dos 143 exemplares foi distribuída em ao menos 37 das 47 províncias japonesas, segundo a Kyodo.

O Governo de Fukushima continua fazendo testes em forragens e nas vacas em todas os estábulos da província, e pediu aos criadores de gado que deixem de distribuir carne por enquanto.

Espera-se que o governo central proíba a partir de terça-feira qualquer envio de carne bovina de Fukushima, e é possível que amplie a suspensão a outras províncias, segundo disse no fim de semana o vice-ministro de Saúde Kohei Otsuka.

A ração de uma das fazendas nas quais se detectaram pasto contaminado no fim de semana procedia de Koriyama, a 60 quilômetros ao oeste da central, e continha 500 mil becquereles de césio por quilo, 278 vezes mais que o permitido pelo governo japonês.

*Com EFE

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