Centenas de pessoas protestam contra muro do Marrocos que divide o Saara

Argel, 1 abr (EFE).- Centenas de pessoas, em sua maioria espanhóis e saaráuis, formarão amanhã uma corrente humana em frente ao muro de separação construído pelo Marrocos, que divide em dois o território do Saara Ocidental, para pedir sua demolição e denunciar a situação dos refugiados nos campos do sudoeste da Argélia.

EFE |

Trata-se do terceiro ano consecutivo em que o protesto é organizado. Sob o nome de "Coluna dos mil", pretende "denunciar a ocupação marroquina do Saara Ocidental" e o muro de mais de 2,5 mil quilômetros que "separa, destrói e restringe a liberdade" dos saaráuis, segundo a Plataforma de Apoio Político ao Povo Saaráui (PAPPS), organizadora do ato.

"Se a pressão internacional abandona seus deveres e obrigações, apegando-se aos interesses econômicos, é porque a pressão social em seus respectivos países diminui e porque o drama do Saara deixa de ser um assunto incômodo para os seus cidadãos", afirma a PAPPS em sua convocação do protesto.

Os organizadores pretendem lembrar à opinião pública internacional que "o muro segue aí, existe e se mantém por interesses puramente econômicos".

"Apesar do conquistado graças à greve de fome que Aminatu Haidar manteve entre os meses de novembro e dezembro de 2009, é necessário lembrar as razões que empurram uma pessoa a ir contra de si mesma para defender sua dignidade", assegura a Plataforma.

Durante o protesto de 2009, o jovem saaráui Brahim Hussein Ladeid, de 16 anos, ficou ferido ao pisar uma mina antipessoal nos arredores do muro e acabou tendo a perna direita amputada à altura do joelho.

Outro saaráui, Salem Mohammed Larusi, de 21 anos, também sofreu ferimentos em um olho em consequência dos estilhaços produzidos pela detonação.

O muro de areia, pedra e arame farpado - um dos mais longos do mundo - está infestado de minas antipessoais e atravessa o território da antiga colônia espanhola praticamente do norte aos sul.

O Marrocos controla os dois terços ocidentais do território e a faixa superior setentrional, enquanto a Frente Polisário domina o lado oriental, fronteiriço com a Argélia e Mauritânia.

Em 1991 foi feito um acordo de cessar-fogo após 16 anos de guerra supervisionado pelas Nações Unidas, que apoiaram um plebiscito de autodeterminação e o envio uma missão ao Saara para sua realização, mas até agora o Marrocos rejeitou a realização da consulta alegando desacordo com a composição do censo de eleitores.

O Polisário e Marrocos mantiveram desde 2007 quatro sessões negociadoras sob os cuidados das Nações Unidas, mas não obtiveram resultados.

O enviado especial da ONU para o Saara Ocidental, Christopher Ross, realizou em uma nova viagem pela região para tentar fixar uma data para uma nova rodada de conversas entre as partes. EFE jg/ib

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