Centenas de milhares vão às ruas no Dia do Trabalho para protestar contra crise

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas nesta sexta-feira em todo o mundo por ocasião do Dia do Trabalho, em manifestações às vezes marcadas pela violência e num momento de grave crise econômica.

AFP |

Meio milhão de pessoas protestaram na Alemanha onde, como costuma acontecer no dia 1 de maio, militantes de extrema-direita causaram problemas. Em Dortmund (oeste), sindicalistas foram atacados a pedradas e pauladas, e 150 neonazistas foram detidos.

Cerca de 50 pessoas já haviam sido detidas na madrugada desta sexta-feira em Berlim, depois das tradicionais brigas entre policiais e militantes de extrema-esquerda.

O Dia do Trabalho é marcado há décadas na Alemanha por violentos enfrentamentos entre extremistas e policiais. Cinco mil policiais foram mobilizados em Berlim, mas a principal manifestação sindical aconteceu em Bremen, no norte do país.

"Isso não pode continuar", afirmou o líder sindicalista Detlef Wetzel durante uma manifestação organizada na ex-República Democrática da Alemanha (RDA), defendendo "uma ordem econômica que teria como objetivo o bem-estar das pessoas, e não ajudar os ricos a se tornarem mais ricos".

Na Turquia, cerca de 50 pessoas, entre elas 36 policiais, foram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais em Istambul e em Ancara. Os enfrentamentos duraram várias horas em Istambul, onde manifestantes atacaram a polícia a pedradas e coquetéis molotov e promoveram um gigantesco quebra-quebra no centro da cidade. Os policiais recorreram a bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água para repelir os baderneiros.

Incidentes isolados foram registrados na Grécia, sobretudo em Atenas, onde algumas centenas de jovens atiraram coquetéis molotov.

Na França, 465.000 pessoas, segundo a polícia, e 1,2 milhão, segundo a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), foram às ruas. Pela primeira vez da história, todos os sindicatos franceses apareceram unidos neste Dia do Trabalho, criticando a política do presidente Nicolas Sarkozy. A contestação decorrente da crise econômica se radicalizou muito na França, com o sequestro de vários presidentes de empresas.

Na Itália, os líderes do maiores sindicatos do país se reuniram em L'Aquila, em sinal de solidariedade com as vítimas do terremoto que devastou a região no mês passado.

Mais de 10.000 pessoas foram às ruas em Madri para protestar contra a crise econômica. Com uma taxa de desemprego de 17,36%, a mais alta da União Europeia (UE) a Espanha é um dos países europeus mais abalados pela crise.

Na Rússia, onde manifestações foram organizadas em várias cidades, a polícia prendeu uma centena de simpatizantes de extrema-direita que tentavam protestar em São Petersburgo.

Em Varsóvia, manifestantes se reuniram diante da sede do Parlamento clamando por "liberdade, igualdade e socialismo".

Em Viena, cerca de 100.000 pessoas foram às ruas para pedir uma maior "igualdade fiscal", e 20 pessoas foram feridas em confrontos entre policiais e manifestantes em Linz, no norte da Áustria.

Manifestações também foram registradas em Tóquio, Seul e Manila, assim como em alguns países africanos, para denunciar o alto custo da vida e pedir a diminuição dos preços dos produtos mais consumidos.

Em Cuba, meio milhão de trabalhadores se reuniram na Praça da Revolução, em Havana, para pedir o fim do embargo americano, enquanto Fidel Castro clamava na imprensa que seu país "nunca se submeterá".

Na Bolívia, o presidente Evo Morales liderou em La Paz uma manifestação de operários e camponeses para celebrar o dia 1 de maio.

Além disso, mais de 20 pessoas foram detidas em Santiago do Chile, durante confrontos entre trabalhadores e policiais.

Na Venezuela, um protesto organizado em Caracas pela oposição ao presidente Hugo Chávez foi repelido com truculência pela polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo, jatos d'água e até balas de borracha, constataram jornalistas da AFP. Enquanto isso, partidários de Chávez se manifestavam tranquilamente no centro de Caracas.

No México, foco da epidemia de gripe suína, o Dia do Trabalho passou em branco, com a maioria das pessoas enclausuradas em suas casas.

bur/yw

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