Centenas de afegãs são presas por 'crimes morais', denuncia ONG

De acordo com a Human Rights Watch, mulheres são punidas por fugir de violência e abusos domésticos no Afeganistão

iG São Paulo |

Centenas de mulheres foram presas por “crimes morais”, incluindo fugir de casa e fazer sexo fora do casamento no Afeganistão .

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Segundo denúncia feita pela ONG internacional Human Rights Watch, as afegãs foram punidas por fugir de abusos domésticos e violência, e outras vítimas de estupro foram aprisionadas. Na sociedade afegã, sexo fora do casamento, mesmo quando a mulher é forçada a fazê-lo – é considerado adultério, outro “crime moral”. 

AP
Foto de 2003 mostra a afegã Zarghona, presa por ter deixado marido que abusava sexualmente e a forçava à prostituição
O relatório Eu Tive de Fugir foi divulgado pela entidade nesta quarta-feira em Cabul, segundo a BBC.

“É chocante que dez anos depois da queda do Taleban, mulheres e garotas ainda sejam aprisionadas por fugir da violência doméstica ou casamento forçado”, disse Kenneth Roth diretor executivo da Human Rights Watch. 

De acordo com o documento, o governo do presidente afegão, Hamid Karzai, falhou em cumprir com suas obrigações perante a legislação internacional de direitos humanos.

O relatório pede também que o governo liberte cerca de 400 mulheres e garotas detidas em presídios ou centros de detenção juvenil.

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“Algumas mulheres e garotas foram condenadas por sexo fora do casamento, depois de serem estuprada ou forçada à prostituição”, diz o relatório. “Juízes com frequência condenam unicamente com base em ‘confissões’ dadas na ausência de advogados e ‘assinadas’ sem antes serem lidas para mulheres que não podem ler ou escrever”. Segundo a Human Rights Watch, depois da condenção, as mulheres frequentemente são condenadas à prisão, em alguns casos a mais de dez anos.

Piora

O documento da ONG internacional avalia que a situação piorou com a mudança constante da posição do presidente afegão em relação aos direitos das mulheres. “Relutante ou incapaz de tomar uma linha consistente contra forças conservadoras dentro do país, ele tem com frequência assinado compromissos que impactaram os diretos das mulheres negativamente”, complementa o relatório.

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No início do mês, o presidente endossou um “código de conduta” elaborado por um influente conselho de clérigos que permite que maridos batam em suas mulheres em alguns casos.

Muitos ativistas temem que direitos conquistados com esforços estejam cada vez mais ameaçados, com o movimento do governo de atrair forças religiosas conservadoras para debater determinados temas.

*Com BBC

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