Censo que definirá balanço de poder começa no Sudão

O governo do Sudão iniciou nesta terça-feira um censo nacional que terá papel fundamental na divisão de recursos naturais e de poder político do país. A realização do levantamento foi uma das principais cláusulas do acordo que, em 2005, pôs fim à guerra de mais de duas décadas entre o norte e o sul do país.

BBC Brasil |

A última contagem no Sudão foi realizada em 1993, quando o país estava imerso no conflito civil.

O censo deste ano deve determinar como recursos e poder político vão ser compartilhados entre o norte (onde fica a capital, Cartum) e o sul, local da maior parte dos poços de petróleo sudaneses.

A contagem também deve determinar regiões eleitorais, abrindo caminho para eleições democráticas em 2009 - as primeiras em mais de vinte anos.

Resistência
No entanto, a idéia do censo encontra oposição em boa parte do Sudão. Autoridades no sul afirmam que não vão necessariamente aceitar os resultados apontados.

O sul quer o adiamento da contagem até o final do ano, alegando que muitos sudaneses obrigados a migrar para o norte por causa do conflito ainda não tiveram condições de voltar.

Grupos rebeldes que combatem tropas do governo central na turbulenta região de Darfur, oeste do país, tambem estão unidos contra o censo.

O comandante do grupo rebelde Movimento de Libertação do Sudão (SLM, na sigla em inglês), Ahmed Abdelshafi Toba, disse à BBC que seus homens vão tentar impedir a contagem.

"Não concordamos com um censo, em primeiro lugar. Para que se tenha um censo é necessário que se tenha paz no país, e este país ainda está em guerra", disse Toba.

Ele afirmou que o grande movimento migratório dentro do Sudão tornaria irreais as conclusões da contagem.

Correspondentes no país acrescentam que a logística também deve ser um obstáculo considerável.

O Sudão é o maior país africano, com inúmeras áreas consideradas de díficil acesso, seja por causa de conflitos que ainda ocorrem, seja pela presença de minas terrestres.

A contagem deve durar até o dia 5 de maio e a divulgação dos resultados está prevista para setembro.

Mais de 60 mil pessoas foram empregadas para trabalhar no censo sudanês. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 38 milhões de habitantes vivam hoje no Sudão.

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