Por Ross Colvin WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estabeleceu o mês de setembro como prazo final para que o Irã responda à sua oferta de diálogo, mas parece cada vez mais provável que a República Islâmica, às voltas com os piores distúrbios em décadas, não lhe dê um retorno.

A grande dúvida é sobre o que Obama fará depois. Analistas dizem que ele tem poucas opções, e quase nenhuma delas é boa. Aqui estão alguns dos possíveis caminhos que ele pode seguir.

SANÇÕES

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que tomou posse do segundo mandato na semana passada, está preocupado em fortalecer sua legitimidade, significativamente enfraquecida pelos protestos depois da eleição. Dar uma resposta à oferta de conversações feita por Obama provavelmente não é uma das prioridades dele atualmente e Washington precisa considerar isso em seu processo decisório, dizem analistas.

Obama tem dito que vai revisar a política em relação ao Irã e consultar os aliados na cúpula do G-20, que no fim de setembro reunirá países ricos e nações em desenvolvimento. Sua secretária de Estado, Hillary Clinton, vem falando em impor "sanções paralisantes".

O Senado dos EUA aprovou projetos que impediriam as empresas que vendem gasolina e outros derivados de petróleo ao Irã de receber contratos do Departamento de Energia para entrega de petróleo à Reserva Estratégica dos EUA.

É muito pouco provável que Obama, cuja política externa dá ênfase ao trabalho conjunto com aliados, imponha medidas punitivas unilaterais, mas conseguir amplo apoio a novas sanções neste momento será difícil, dizem analistas e diplomatas.

Até agora a ONU impôs três rodadas de sanções ao Irã e parece haver pouca disposição para uma quarta.

China e Rússia, dois dos principais parceiros comerciais do Irã, deixaram claro que não aceitarão no momento novas sanções. As 27 nações da União Europeia estão divididas sobre o assunto.

Há dúvidas sobre se sanções teriam o efeito desejado. Uma ideia popular é a de focar nas importações de gasolina pelo Irã. Alguns analistas dizem que isso iria deixar Ahmadinejad sob forte pressão interna porque resultaria na elevação de preços, mas outros observam que o efeito poderia ser contrário ao lhe propiciar justificativas para as crescentes dificuldades econômicas do país.

AÇÃO MILITAR

Essa é a opção que Obama estaria menos propenso a adotar, o que não surpreende. Embora ele diga que uma possível ação militar sempre permanece como opção, mesmo seus generais reconhecem que isso poderia ter consequências potencialmente desastrosas.

O chefe do Estado-Maior conjunto das Forças Armadas, almirante Michael Mullen, disse em 7 de julho que uma ação militar contra o Irã seria "muito desestabilizadora" para o Oriente Médio e teria efeitos secundários imprevisíveis para os interesses dos aliados dos EUA na região.

"A questão não é se atacamos ou não e se o ataque seria eficaz", disse o general reformado Anthony Zinni em 2006. "Certamente seria eficaz, até certo ponto. Mas nós estamos preparados para todas as consequências?"

Observadores do Irã dizem que seus militares iriam provavelmente retaliar atacando navios no Estreito de Ormuz, uma passagem que margeia o Irã e pela qual passa cerca de 40 por cento de todo o comércio de petróleo transportado por via marítima no mundo.

O Irã também poderia buscar a ajuda de aliados como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza, para atacar Israel, e incentivar milícias xiitas iraquianas, que dependem de armas e recursos iranianos, a atacarem tropas dos EUA no Iraque.

Um ataque dos EUA também iria prejudicar os esforços de Obama de entendimento com o mundo muçulmano e deixar distante a perspectiva de um acordo de paz palestino-israelense.

DIPLOMACIA

Portanto, se o endurecimento das sanções parece improvável logo e a ação militar não é um passo inicial, o que sobra?

"Não há outra opção, a não ser procurar negociações", diz o especialista em Irã Reza Aslan, de Los Angeles.

Autoridades do governo admitem que é do interessa da segurança nacional dos EUA buscar o envolvimento do Irã, e Obama já observou que os esforços anteriores para isolar o país fracassaram.

O Irã não disse não às conversações com Washington e pode estar tentando ganhar tempo como fez sucessivamente em negociações com potências ocidentais sobre seu programa nuclear, que alega ter como objetivo a geração de eletricidade. Mas alguns países ocidentais temem que possa ser usado para a fabricação de uma bomba nuclear.

Analistas dizem que, se Obama quer ganhar apoio para futuras sanções, primeiro tem de convencer parceiros internacionais de que está sendo sério quando fala em dialogar com o Irã e reverter a política norte-americana das últimas décadas, de isolamento da República Islâmica.

Esse será o dilema que Obama terá em setembro. Se ele nada fizer, se arrisca a parecer fraco e Israel poderá ser tentado a adotar medidas por conta própria. Tudo depende em quanto mais tempo, se houver, ele deseja conceder ao Irã.

(Reportagem adicional de Louis Charbonneau em Nova York)

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