CENÁRIOS-Até onde vai a tensão com a Coreia do Norte?

Por Jack Kim SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte preparou um foguete de longo alcance para um lançamento que, segundo os EUA, violaria sanções da ONU impostas contra o regime comunista por causa de testes com mísseis em anos anteriores.

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Analistas não anteveem um grave conflito por causa disso entre as duas Coreias, mas dizem que o recente discurso belicoso de Pyongyang visa a pressionar Seul a abandonar sua política linha-dura e a chamar a atenção do novo governo dos EUA.

A imprensa diz que os EUA e o Japão estariam se preparando para abater o foguete, a ser lançado entre os dias 4 e 8 de abril, mas analistas dizem que isso não deve ocorrer, por questões técnicas e políticas.

A seguir, possíveis cenários neste momento de tensão, e a opinião de analistas sobre possíveis impactos no mercado financeiro.

ESCARAMUÇA NAVAL

A Coreia do Norte ameaça uma ação militar por causa de uma disputa com o Sul por um trecho de litoral na costa oeste da península. A questão já gerou confrontos em 1999 e 2002, com mortes de marinheiros em ambos os lados.

O Norte pode hesitar em provocar uma nova batalha, já que sua Marinha se mostrou muito inferior às forças sul-coreanas em 2002.

Mas a Coreia do Norte colocou mais mísseis de curto alcance em seu litoral, e pode agravar a tensão disparando-os contra águas reivindicadas pela Coreia do Sul ou contra seus navios.

Um eventual ataque abalaria a Bolsa sul-coreana e derrubaria a cotação do won local, mas o impacto provavelmente seria efêmero. A avaliação de crédito da Coreia do Sul permaneceu intacta nos dois incidentes navais anteriores.

TIROS NA FRONTEIRA

Um tiroteio em algum ponto da Zona Desmilitarizada (junto à fronteira) poderia facilmente desencadear um confronto mais amplo, envolvendo muitos dos mais de 1 milhão de soldados mobilizados em ambos os lados.

Mas uma batalha terrestre é um cenário improvável, pois poderia provocar um conflito mais amplo. Um cenário mais provável seria que o Norte realize enormes manobras de treinamento militar ou envie aviões para muito perto da fronteira, a fim de assustar Seul.

O ministro sul-coreano da Defesa, Lee Sang-hee, disse recentemente ao Parlamento que o Norte pode realizar um ataque "limitado" por mar, ar ou terra enquanto a atenção está voltada para o disparo do foguete.

Nesse caso, disse o ministro, o Sul reagiria atacando a base de onde partiu a agressão.

Um eventual confronto deve derrubar a Bolsa de Seul e o won, mais do que no caso de um teste norte-coreano com mísseis ou armas nucleares.

Já uma incursão de tropas norte-coreanas ou um disparo de artilharia que atinja o território sul-coreano poderia resultar na retirada maciça dos investimentos estrangeiros e num rendimento muito mais elevado para os títulos do Tesouro sul-coreano.

TESTE COM MÍSSIL BALÍSTICO

Há uma pequena chance de que a Coreia do Norte também teste mísseis de médio alcance, como fez em julho de 2006, quando disparou o seu Taepodong-2 pela primeira e única vez. Isso contradiria o argumento norte-coreano de que o foguete a ser lançado em abril serviria a fins pacíficos (pôr um satélite em órbita), e fortaleceria a tese dos que defendem mais punições ao país.

SEGUNDO TESTE NUCLEAR

A Coreia do Norte, que realizou seu único teste nuclear em outubro de 2006, sabe que um outro teste a deixaria ainda mais isolada e esgotaria o seu já magro estoque de plutônio altamente enriquecido. A essa altura, um novo teste não traria ganhos políticos expressivos para Pyongyang, e ainda acarretaria o risco de abalar os laços com o único aliado do regime, a China.

Além disso, os líderes norte-coreanos podem se ver fortalecidos internamente pelo lançamento bem-sucedido de um foguete, tornando desnecessária a exibição de um segundo teste com armas nucleares.

Especialistas alertam, no entanto, que o segundo teste acabará ocorrendo, já que o primeiro pareceu ser apenas parcialmente bem-sucedido, e o Norte precisa fazer outro para avaliar progressos nos seus projetos de bombas atômicas.

PROGRAMA NUCLEAR

A fim de ampliar sua influência junto ao novo governo dos EUA, o Norte poderia cogitar a retomada das operações na sua usina nuclear de Yongbyon, revertendo as medidas de desarmamento exigidas em um tratado internacional que deveria levar à total desativação da central nuclear durante pelo menos um ano.

Especialistas dizem que o Norte poderia ter suas instalações funcionando novamente em poucos meses, e poderia aproveitar restos nucleares para produzir plutônio suficiente para mais uma bomba atômica.

GUERRA TOTAL

Comandantes militares dos EUA na Coreia do Sul dizem que as forças norte-americanas e sul-coreanas derrotariam facilmente o Norte, que no entanto continuaria capaz de disparar rapidamente milhares de projéteis de artilharia e até mísseis que poderiam atingir Coreia do Sul e Japão.

Analistas dizem também que uma guerra total representaria o fim do governo comunista de Kim Jong-il, e causaria enorme destruição na península e talvez no Japão. Poderia também provocar uma nova crise econômica e financeira na região, já afetada duramente pela desaceleração econômica global.

(Reportagem adicional de Kim Junghyun)

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