Celso Amorim pede garantias sobre bases americanas na Colômbia

Lima, 14 ago (EFE).- O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, pediu hoje garantias aos Estados Unidos e à Colômbia sobre o acordo militar que ambos negociam, pelo qual militares americanos poderão usar até sete bases colombianas, para combater o narcotráfico.

EFE |

Amorim se referiu ao tema em entrevista coletiva com a qual encerrou sua visita a Lima, durante a qual se reuniu com o presidente do Peru, Alan García, e com o chanceler José Antonio García Belaúnde.

"Acho que é preciso buscar soluções pela via do diálogo para que haja tranquilidade sobre essa presença. Também é necessário construir garantias jurídicas de que não vai haver utilização de equipamentos de modo que possam comprometer a segurança de outros países da região", afirmou Amorim.

Estas garantias, segundo o chanceler brasileiro, devem vir "não só da Colômbia mas, de uma e outra maneira, dos Estados Unidos".

"Embora não tenhamos nenhuma razão para suspeitar que vão utilizar de forma distinta (para a luta contra o narcotráfico e a subversão), em relações internacionais assim deve ser feito", acrescentou.

Por sua vez, o chanceler peruano assegurou que o Peru entende as duas perspectivas apresentadas sobre o assunto das bases: o interesse da Colômbia por contar com o apoio americano e o temor da presença militar de outros países da região, mas acrescentou que é possível conseguir o entendimento.

"O Brasil facilitou o caminho para isso: a transparência do acordo em torno das garantias, para assim estabelecer medidas de confiança. São pedidos afins e complementares os quais temos com o Brasil neste tema", disse García Belaúnde.

A viagem de Amorim a Lima, que incluiu uma recepção com honras militares na sede do Ministério de Exteriores peruano, se desenvolveu sobre duas linhas de trabalho: preparar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Peru no dia 11 de dezembro, e a análise das relações bilaterais.

"Acho que o resultado desta reunião é comprovar que estamos caminhando na boa direção e estamos fazendo as coisas que nos propusemos em encontros anteriores", resumiu o ministro peruano.

García Belaúnde disse que este trabalho está "ajudando peruanos e brasileiros na fronteira se sentirem mais cômodos, e que a relação dos dois países que durante anos se deram as costas seja uma relação com múltiplas direções".

Os dois chanceleres também se referiram à crise de Honduras causado pelo golpe de Estado que tirou do poder o presidente Manuel Zelaya, outro dos temas candentes na região, segundo referiu o titular peruano de Exteriores.

O ministro afirmou que o Peru compartilha "plenamente a posição do Brasil", e que apoia o plano proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, para solucionar o conflito em Honduras e a presença da Organização dos Estados Americanos (OEA) em tal país.

"Há um interesse óbvio de reinstaurar a democracia (em Honduras), seria um mau exemplo que um Governo saído de um golpe continue, embora haja eleições, já que poderia se repetir em um futuro", afirmou Amorim.

O ministro brasileiro, que assinou junto com seu colega peruano quatro acordos para desenvolver a integração dos povoados na fronteira, foi recebido pelo presidente García, com o qual, segundo ele mesmo disse, manteve uma boa conversa sobre o desenvolvimento binacional. EFE fcg/ma

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