Celso Amorim lamenta fracasso na última tentativa de salvar Rodada de Doha

Marta Hurtado Genebra, 29 jul (EFE).- O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, lamentou o fracasso na última tentativa de salvar a Rodada de Doha, cujo objetivo era liberalizar o comércio mundial e que agora deixa indefinido o futuro das negociações.

EFE |

"É muito lamentável o que aconteceu. Alguém de outro planeta não acharia que, após todo o progresso realizado, não seriamos capazes de concluir", disse.

O próprio diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que convocou a reunião com a esperança de poder desbloquear o processo, admitiu o fracasso.

"Não vou esconder que fracassamos", disse Lamy, após explicar que os ministros que negociaram intensamente durante nove dias conseguiram resolver "entre 80% e 85%".

"Esse acordo teria representado uma economia de US$ 130 bilhões em tarifas" até o fim do período de implantação do acordo, lamentou o diretor-geral.

Em seguida, ele se defendeu dos rumores que lhe culpam por ter convocado uma reunião para a qual os países não estavam preparados, dizendo que nenhum ministro falou que a convocação tinha sido um erro.

Lamy chamou vários representantes dos 153 membros que formam a instituição.

No entanto, após dois dias pouco produtivos, a reunião se reduziu aos seis países considerados chave no processo - Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Japão - e a União Européia (UE), os mesmos que hoje encerraram o processo "após 60 horas" falando de um só tema, em palavras de Lamy.

Os países emergentes lembraram várias vezes que não se devia perder de vista que esta era a "rodada do Desenvolvimento" e que o acordo devia refleti-lo.

Por isso, argumentaram que devia proteger a subsistência de seus agricultores pobres de uma invasão de produtos estrangeiros, "alguns deles, como o algodão, subsidiados", explicou Celso Amorim, ao comentar sobre "o absurdo" de a rodada ter sucumbido por um só assunto.

Opinião parecida tem o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, que também lamentou o "doloroso fracasso" das negociações por culpa da "pequenez" dos países mais duros nesta discussão.

Sem citá-los, todo o mundo apontou Estados Unidos e Índia, que, após uma semana de atritos, trocaram fortes recriminações nas últimas 48 horas, acusando-se mutuamente de dificultar o processo.

A representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, criticou o fato de "todos os progressos" conseguidos nos últimos dias terem ido por água abaixo pelo "protecionismo" de alguns membros frente à abertura de mercados.

Washington também criticou a China abertamente pela decisão de se proteger da importação de arroz, açúcar e algodão, três produtos para os quais os EUA querem ter acesso de mercado.

Os americanos responderam e anunciaram que, caso a China limite suas importações, eles não aplicariam o anunciado corte em seus subsídios à produção a um máximo de US$ 15 bilhões anuais.

O assunto dos subsídios americanos ao algodão, contra os que lutam há anos Brasil, e o grupo de países africanos que o produzem - Burkina Faso, Benin, Mali e Senegal - sequer chegou a ser discutido nas negociações.

Já o ministro de Comércio indiano, Kamal Nath afirmou que os países não devem deixar de lado o enorme trabalho realizado até agora e disse que este poderia servir de base para "ir para frente" no futuro. EFE mh/rb/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG