Lagos, 19 fev (EFE).- A Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao) enviou hoje três membros de seu alto escalão à capital do Níger, Niamey, para promover o retorno do país à ordem constitucional após o golpe de Estado de ontem.

A delegação é formada pelo presidente da Comissão da Cedeao, Mohammed Ibn Chambas; pelo vice-ministro de Assuntos Exteriores da Nigéria, Bagudu Hirse; e o mediador para o conflito do Níger da própria organização, o ex-presidente nigeriano Abdulsalami Abubakar.

Abubakar já intermediava para o retorno à ordem constitucional e para resolver a crise criada no país em meses passados pelo presidente deposto, Mamadou Tandja.

Tandja foi derrubado ontem por militares que formaram o autodenominado Conselho Supremo para a Restauração da Democracia (CSRD), que suspendeu a Carta Magna e assumiu o poder.

Previamente, em comunicado, o presidente rotativo da Cedeao e chefe de Estado interino da Nigéria, Goodluck Jonathan, condenou hoje "toda forma inconstitucional de assumir o poder ou permanecer nele" e pediu que todos os envolvidos no conflito do Níger busquem uma solução por meio do diálogo.

Os enviados da Cedeao têm a missão de se reunir com os golpistas, assim como com os grupos políticos e sociais de Níger, onde os militares que ocuparam o poder, liderados pelo comandante Salou Djibo, mantêm Tandja e vários de seus ministros retidos em um quartel.

Um integrante da comissão da Cedeao, que pediu anonimato, disse hoje à Agência Efe que "embora a Cedeao não reconheça a junta golpista, travaremos um diálogo para tentar fazer com que o país volte à democracia o mais rápido possível".

O Níger vivia há meses um clima de grande instabilidade política após a decisão de Tandja de ampliar seu mandato presidencial além dos dois mandatos de cinco anos estabelecidos pela Constituição do país.

O presidente dissolveu o Parlamento, que se opôs a suas intenções, e destituiu os membros da Corte Constitucional, que declararam a reforma da Carta Magna como ilegal.

Em agosto, Tandja convocou um plebiscito para aprovar a modificação constitucional. A medida venceu por grande maioria em meio a acusações de fraude e de golpe de Estado disfarçado por parte dos partidos de oposição.

Dois meses depois, a Cedeao anunciou a suspensão do Níger como membro da organização, a sanção mais dura que pode impor. Com isso, o país não pode assistir a suas reuniões, mas deve continuar pagando as cotas correspondentes. EFE da/bba

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