CE anuncia ajuda de 117 milhões de euros contra crise alimentícia

Estrasburgo (França), 22 abr (EFE).- O comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, anunciou hoje que a Comissão Européia (CE, o órgão executivo da UE) destinará uma ajuda de 117,25 milhões de euros para atenuar o impacto dos preços dos alimentos e sua escassez nas populações mais vulneráveis do mundo.

EFE |

Durante um debate no Parlamento Europeu (PE), Michel disse que o objetivo da doação é "amortecer a curto prazo" a crise no fornecimento de alimentos, que tem gerado problemas especialmente nos países mais pobres. Porém, reconheceu que essa atuação não é o suficiente.

Do total da ajuda, 57,25 milhões de euros serão retirados do orçamento da Comissão Européia e os 60 milhões de euros restantes virão de um fundo novo.

Os 117,25 milhões anunciados por Michel elevarão o orçamento atual para ajuda humanitária em 2008 para 283,25 milhões de euros.

De toda forma, Michel advertiu que outras medidas a longo prazo precisam ser tomadas e admitiu que os resultados dessa iniciativa poderão demorar até 24 meses para serem vistos.

O comissário destacou que a alta "brutal" dos preços dos alimentos precisa de uma resposta "mundial".

Michel defendeu uma "revolução verde" na África e o aumento da capacidade de produção agrícola dos países mais pobres.

O funcionário da CE disse que os preços dos cereais dobraram ou até triplicaram e que essa situação é "insuportável" para muitas economias, referindo-se a esse momento como um "tsunami humanitário".

Como exemplo da desestabilização política que o desabastecimento de alimentos vem causando, Michel citou os conflitos ocorridos nas últimas semanas em países como Haiti, México, Marrocos, Senegal e Costa do Marfim.

Quanto à produção da UE, Michel fez referência a alguns pontos que poderiam frear o encarecimento dos alimentos, citando como possíveis medidas o fim do rodízio de terras obrigatório ou das cotas para o leite.

Entre os fatores que propiciaram a crise, o comissário enumerou o aumento da população e da demanda por alimentos em países como China, Índia e Brasil, que têm hoje um poder aquisitivo maior e cada vez consomem mais laticínios.

Sobre os biocombustíveis, Michel admitiu que é necessário buscar "idéias claras" que permitam que sua produção tenha cada vez menos repercussão nos preços dos alimentos.

O comissário enfatizou que a previsão é de que os preços continuem subindo nos próximos anos. EFE ms/fb/sc

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