CDU critica ministro de Exteriores alemão por não receber o dalai lama

Berlim, 10 mai (EFE).- Membros da cúpula da União Democrata-Cristã (CDU) criticaram o ministro de Exteriores alemão, o social-democrata Frank-Walter Steinmeier, por este não receber o dalai lama em sua visita a Berlim, em 19 de maio.

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"Steinmeier deveria se reunir com o dalai lama para discutir as relações entre o Tibete e a China", afirma o chefe do Governo regional da Baixa Saxônia, Christian Wulff, em declarações à edição de amanhã do jornal "Welt am Sonntag", antecipadas hoje.

O líder budista fará em 19 de maio um discurso em Berlim, em frente ao histórico Portão de Brandeburgo, como destino final de uma visita de quatro dias à Alemanha, a convite da Comissão de Exteriores do Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento alemão).

O dalai lama visitará também as cidades alemãs de Bochum, Mönchengladbach, Nuremberg e Bamberg antes de chegar a Berlim. O líder tibetano não poderá se reunir com a chanceler alemã, a democrata-cristã Angela Merkel, que estará viajando pela América Latina nessa época.

Um encontro de Merkel com o líder tibetano realizado em setembro do ano passado prejudicou as relações com a China, que se deterioraram em janeiro durante a visita a Pequim de Steinmeier, que parece não estar disposto a recender as tensões.

"Esperava mais coragem de Steinmeier", afirma ao jornal Erwin Huber, o presidente da União Social-Cristã (CSU) - aliada da CDU-, que considera que o dalai lama é uma "figura simbólica do escravizado Tibete", a quem não se pode rejeitar uma oferta de diálogo de forma tão "fria e anti-diplomática".

O chefe interino do Governo regional de Hesse, Roland Koch, afirmou que não receber o líder tibetano pode enviar à China o sinal de "que os direitos humanos não são um tema central" para o Executivo de Merkel, o que, segundo ele, "seria fatal".

O chefe de Governo de Sarre, o conservador Peter Müller, considera que os objetivos do líder tibetano "ganharam o apoio do Governo federal", e isso coloca na linha de frente o ministro de Exteriores.

Antes de ser ministro de Exteriores no gabinete de coalizão de Merkel, Steinmeier foi um dos articuladores da política chinesa do chanceler anterior, Gerhard Schröder, que foi considerada pouco crítica.

O social-democrata Rolf Mützenich contestou hoje as críticas contra Steinmeier lamentando que o conflito tibetano seja utilizado para promover tensões internas, e lembrou que o ministro pressionou a China para que retome as relações com o Tibete.

O representante do dalai lama na Europa, Tseten Chhoekyapa, criticou Steinmeier, lamentando sua "infeliz decisão" de não se reunir com o líder religioso, e afirmando que o ministro "foi mal aconselhado". EFE nvm/bm/an

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