Caxemira indiana começa eleição para Assembléia com boicote de separatistas

Diego A. Agúndez.

EFE |

Nova Délhi, 17 nov (EFE).- Após meses de agitação política e social e com o pedido de boicote dos grupos separatistas, a Caxemira indiana realizou hoje o primeiro dia de votação das eleições para sua Assembléia, que acontecerá em sete fases até 24 de dezembro.

Os colégios eleitorais fecharam suas portas às 16h hora local (8h30 em Brasília) nas dez circunscrições previstas das 87 totais, distribuídas entre o vale da Caxemira (de maioria muçulmana), o sul de Jammu (hindu) e o leste de Ladakh (budista).

Apesar da neve e do frio - em alguns distritos, a votação aconteceu com temperatura de zero grau -, pequenos grupos de eleitores foram aos colégios, em meio a um amplo desdobramento das forças de segurança indianas, que tiveram que lidar com alguns incidentes.

"Houve apenas incidentes menores, todos muitos localizados.

Portanto, podemos dizer que esta primeira fase transcorreu de forma feliz", disse à Agência Efe por telefone o chefe da Comissão Eleitoral da Caxemira, B. R. Sharma.

Hoje, 600 mil eleitores dos 6,54 milhões da região estavam convocados a votar.

Apesar de a população ter comparecido nos distritos de maioria hindu e budista, no vale da Caxemira não foi atendido o pedido de boicote dos grupos separatistas muçulmanos, com a Conferência Hurriyat à frente.

As imagens exibidas pela rede de televisão indiana "NDTV" mostram como estavam desertas algumas áreas da capital de inverno da Caxemira, Srinagar, onde as lojas mantiveram suas portas fechadas e poucos soldados patrulhavam as ruas.

Na área muçulmana convocada às urnas hoje, um enfrentamento entre militantes de partidos adversários na circunscrição de Sonawari obrigou o fechamento das urnas, enquanto na cidade de Bandipora, a Polícia enfrentou vários manifestantes que protestavam contra o pleito, segundo as agências indianas.

Faltando dados definitivos, Sharma acredita que o comparecimento eleitoral tenha ficado entre 45% e 50%.

"Achamos que a participação foi pequena. Mas não há observadores internacionais. É impossível saber se o que o Governo diz está certo", rebateu o porta-voz da Conferência Hurriyat, Mirwaiz Omar Farooq, contatado por telefone pela Efe.

"Nosso líder (Pervez Imroz) foi preso diante da imprensa. Não participava dos protestos. Tínhamos enviado 50 voluntários para observar o processo eleitoral", disse à Efe um porta-voz da Associação de Pais de Pessoas Desaparecidas após sua detenção por forças de segurança.

Atualmente, os principais líderes independentistas da Caxemira estão sob prisão domiciliar.

"Estamos detidos há uma semana. Mas pelo menos o povo está demonstrando que rejeita as eleições. A Caxemira necessita de um acordo entre todos - Índia, Paquistão e nós - antes de qualquer processo eleitoral", declarou Farooq.

Embora as eleições estivessem marcadas para outubro, a situação de insegurança levou a Comissão Eleitoral a adiá-las para agora e a dividir o pleito em sete dias de votação.

A apuração dos votos começará em 28 de dezembro, com previsão de anúncio do resultado para o dia 31 do mesmo mês.

A Caxemira está sob comando do governador (uma espécie de representante do Governo de Nova Délhi) desde julho, após o rompimento do Executivo formado pelo Partido do Congresso, de Sonia Gandhi, e do Partido Democrático do Povo.

O Partido do Congresso, o Partido Democrático do Povo, a Conferência Nacional e o radical Partido Bharatiya Janata (BJP, Partido do Povo Indiano) são os principais adversários nesse pleito para a Assembléia, de 87 membros.

O rompimento do Executivo da Caxemira teve como cenário os protestos de hindus e muçulmanos pela cessão de terrenos ao templo hindu de Amarnath para acomodar milhares que peregrinos que recebe em agosto.

O Governo revogou a cessão após os protestos da comunidade muçulmana, mas isso só atiçou o ânimo dos hindus.

Ao todo, 40 pessoas já morreram nos meses de protestos das duas comunidades, que isolaram economicamente a Caxemira e estimularam novos protestos dos separatistas.

Os distúrbios deste ano constataram a virulenta história do enclave da Caxemira, o único de maioria muçulmana na Índia e que o país disputa com o Paquistão desde a independência dos dois países, em 1947. EFE daa/wr/jp

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