Católicos pedem ao papa que autorize anticoncepcionais

Por Philip Pullella ROMA (Reuters) - Mais de 50 grupos dissidentes católicos publicaram na sexta-feira uma carta aberta ao papa Bento 16 em que dizem que a proibição da Igreja ao uso de anticoncepcionais é catastrófica e deve ser revista.

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A carta foi publicada em um anúncio de meia página no maior jornal italiano, o Corriere della Sera, no 40o aniversário da polêmica encíclica 'Humanae Vitae', em que o papa Paulo 6o instituiu o veto aos métodos anticoncepcionais, que ganhavam popularidade naquela época.

Críticas a essa postura são comuns na imprensa italiana, mas nunca em um anúncio pago e se dirigindo diretamente ao pontífice.

A carta diz que a posição da Igreja 'tem tido um impacto catastrófico sobre os pobres e impotentes mundo afora, ameaçando as vidas das mulheres e deixando milhões expostos ao ricos do HIV'.

O texto diz ainda que, 40 anos depois, a encíclica continua sendo 'uma fonte de grande conflito e divisão na Igreja'.

Acrescenta que a maioria dos católicos recorre sem culpa a métodos anticoncepcionais, o que seria uma prova do 'absoluto fracasso' da proibição.

Bento 16 já se manifestou publicamente a favor do conteúdo da encíclica de 1968, a exemplo do que fizera seu antecessor, João Paulo 2o.

Em maio, o atual pontífice declarou que o texto de Paulo 6o foi visionário, mas é 'frequentemente mal-entendido e mal-interpretado'. Na opinião do papa alemão, o amor entre um casal não pode 'ficar fechado ao dom da vida'.

A Igreja só autoriza métodos naturais de contracepção, como a 'tabelinha' (abstinência sexual durante o período fértil da mulher).

A carta publicada no Corriere della Será é assinada por grupos como as Católicas pelo Direito de Decidir, que tem sede nos EUA, o Somos a Igreja, com ramificações em vários países, e o Ministério dos Novos Caminhos, que congrega católicos homossexuais.

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