Católicos e muçulmanos começam primeiro fórum comum amanhã no Vaticano

Cidade do Vaticano, 3 nov (EFE).- Um total de 58 delegados -29 católicos e outros 29 muçulmanos- reúne-se de amanhã a 6 de novembro no Vaticano, no primeiro Fórum Católico-Muçulmano, onde analisarão temas teológicos e espirituais, e estabelecerão um diálogo inter-religioso oficial.

EFE |

O Fórum Católico-Muçulmano foi criado em março deste ano, como resultado da carta que, em outubro de 2007, enviaram ao papa 138 estudiosos muçulmanos, liderados pelo príncipe Ghazi bin Muhammad bin Talal presidente do Instituto Aal al-Bayt para o Pensamento Islâmico.

Na carta, os signatários assinavam que o futuro do mundo depende da paz entre muçulmanos e cristãos.

O Vaticano considerou essa carta "encorajadora e estimulante" e, em sua resposta Bento XVI, defendeu um "diálogo baseado no respeito da dignidade da pessoa, no conhecimento objetivo da religião do outro, em compartilhar a experiência religiosa e no compromisso comum para promover o respeito mútuo e a aceitação".

Em março, reuniu-se em Vaticano uma delegação católica liderada pelo presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo inter-religioso, cardeal Jean-Louis Tauran, e outra muçulmana presidida por Abdel Hakim Murad, da University of the Muslim Academic Trust, da Inglaterra, que acordaram a criação do fórum.

A reunião se realizará a portas fechadas no Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos e Bento XVI receberá os presentes na quinta-feira, dia 6, em audiência no Vaticano.

O cardeal Tauran disse hoje à Rádio Vaticano que cristãos e muçulmanos estão condenados ao diálogo e que a reunião de amanhã não é o início, "mas uma etapa a mais de um diálogo que se remonta a mais de 1.400 anos".

O bispo Pierluigi Celata, secretário do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, declarou à Rádio Vaticano que o encontro nasce do desejo de evitar que "utilizem religiões, sobretudo monoteístas, para justificar atos de violência e pela responsabilidade das religiões na grande aspiração humana, a paz".

Celata acrescentou que os temas do Fórum foram escolhidos de comum acordo e que os 58 analistas debaterão sobre "amor de Deus, amor do próximo", "fundamento teológico e espiritual" e "dignidade humana e respeito recíproco".

Não se descarta que, ao final da reunião, se aprove uma declaração comum, precisou o bispo. O fórum voltará a se reunir dentro de dois anos, em uma reunião organizada pela parte muçulmana, precisou Celata.

O sacerdote reconheceu que em alguns momentos as relações com os muçulmanos são "tensas", mas precisou que "é preciso ver" se a origem dessa tensão tem causas religiosas ou está condicionada por problemas de tipo social, econômico, ideológico ou político.

As relações entre o Vaticano e o Islã atravessaram no final de 2006 momentos difíceis depois de Bento XVI pronunciar, na universidade de Regensburg (Alemanha), uma aula magna onde se referiu a Maomé, de forma considerada "ofensiva" pelo mundo islâmico.

O papa citou uma conversa entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1391) e um erudito persa, na qual o líder dizia que "Maomé não tinha trazido nada novo exceto a ordem de estender a fé pela espada".

Essa frase provocou sérios protestos e o Vaticano teve que especificar as palavras do papa, que posteriormente recebeu os embaixadores muçulmanos perante a Santa Sé, aos quais expressou "estima e profundo respeito" pelo Islã.

As relações se normalizaram durante a visita de Bento XVI no final de novembro de 2006 à Turquia, quando visitou e meditou na Mesquita Azul, de Istambul, perante o Mihrab, o lugar sagrado que olha para a Meca.

Além disso, o papa recebeu, em audiência em novembro do ano passado, no Vaticano, o rei Abdullah da Arábia Saudita, em sua primeira visita à Santa Sé. EFE jl/jp

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