Católicos dos EUA querem ação do papa sobre abusos de padres

Por Daniel Trotta NOVA YORK (Reuters) - Irritados e desmoralizados pelos escândalos de abusos sexuais por padres, católicos dos Estados Unidos dizem que um homem pode ajudar a revitalizar a Igreja por meio de ações corajosas: o papa Bento 16.

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A viagem do papa a Washington e Nova York na semana que vem será a primeira visita de um pontífice aos EUA depois que uma onda de escândalos sexuais, iniciada em 2002, desencadeou ações judiciais que forçaram as dioceses a pagar mais de 2 bilhões de dólares em acordos.

Alguns advogados de vítimas querem que o papa peça desculpas pelo ocorrido, outros desejam que ele proíba definitivamente os molestadores de crianças de permanecer no sacerdócio ou os identifique publicamente.

O Vaticano tem dito que o papa vai discutir o escândalo durante sua visita aos EUA, em um esforço para curar as feridas. Encontros com vítimas de abusos sexuais não fazem parte da agenda de Bento 16, mas algumas vezes alguns compromissos são acrescentados ao roteiro na última hora.

'Além de pedir desculpas, o papa Bento 16 e todos os nossos bispos deveriam se encontrar com vítimas, ouvir suas histórias e tratá-las com respeito e compaixão', disse Dan Bartley, presidente do grupo Voz dos Fiéis, formado em Boston depois do escândalo na cidade.

Bartley qualificou de 'boa notícia' o fato de Bento 16 falar do assunto em sua visita, mas o grupo quer mais transparência e prestação de contas da Igreja.

Um estudo encomendado pela Igreja descobriu que 10.667 pessoas acusaram 4.392 padres de abusos sexuais contra crianças entre 1950 e 2002. Líderes da Igreja dizem que esse levantamento ilustra sua seriedade em relação ao problema, expondo segredos enquanto outras instituições não fazem o mesmo.

Além disso, a Igreja mudou suas normas para dispensar mais facilmente padres quando existe uma acusação crível de abuso, disse a irmã Mary Ann Walsh, porta-voz da Confederação dos Bispos Católicos dos EUA.

Walsh não pôde dizer quantos dos mais de 4 mil padres foram removidos --muitos morreram ou já haviam se aposentado na época da realização do relatório--, mas ela afirmou que o papa falará sobre o sofrimento das vítimas.

'Está muito próximo do coração do Pai Sagrado. Ele está simplesmente horrorizado com esse crime', disse Walsh.

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