Viena, 2 mai (EFE).- O porão onde Josef Fritzl trancou a filha Elisabeth durante 24 anos centrou hoje as investigações da Polícia austríaca, enquanto surgiu um relatório policial que indica que o acusado já tinha cometido vários crimes sexuais no passado.

O chefe da investigação, Franz Polzer, disse hoje que o acesso ao cativeiro subterrâneo tinha duas portas de aço, que tinham um mecanismo eletrônico para sua abertura e fechamento à distância, através de um código que apenas Fritzl conhecia.

Segundo Polzer, o trabalho dos policiais se complica por causa da falta de espaço e de oxigênio no porão, o que obriga os peritos a interromperem seu trabalho com freqüência para tomar ar.

Para evitar que os agentes deixem DNA no lugar, eles trabalham sempre com máscaras, explicou Polzer à imprensa. O perito acrescentou que as investigações no local durarão várias semanas.

Elisabeth, de 42 anos, ficou trancada no porão da casa de Fritzl e foi violentada sistematicamente por seu pai, com quem teve sete filhos, nascidos no local em condições subumanas.

A Polícia tenta entender como funcionava toda a infra-estrutura subterrânea instalada por Fritzl durante todos esses anos.

"No porão, há muitos canos que desaparecem nas paredes. Tudo está bem isolado com espuma industrial", disse Polzer.

Por outro lado, o chefe da investigação afirmou que seus agentes completaram "a impressão da família", que revela que o acusado "não é apenas uma pessoa autoritária, mas um verdadeiro tirano, que não permite questionamentos".

Para a família, "era um tabu saber por onde ele andava. E o porão da casa era um tabu especial", explicou Polzer.

Enquanto isso, um dos grandes mistérios do caso parece ter sido esclarecido, com a descoberta de um relatório policial que revelaria que Fritzl teria sido detido em 1967 por violentar uma mulher.

O jornal local "OÖN", que encontrou o documento no Relatório Anual da Polícia de Linz, capital do estado da Alta Áustria, diz que a detenção aconteceu quando Fritzl já havia sido fichado por outra tentativa de estupro e um crime de exibicionismo.

As autoridades do estado da Baixa Áustria, onde está Amstetten, afirmaram não saber nada sobre possíveis crimes de Fritzl no passado.

O delito prescreveu e foi apagado automaticamente dos arquivos, como é previsto pela lei, mas o relatório se encontrava no Arquivo Regional da Alta Áustria.

Ali normalmente são guardados os documentos do Tribunal Regional, que ficam abertos ao público por um prazo de 50 anos.

Um porta-voz da Promotoria da Baixa Áustria, onde Fritzl está preso, disse que esse relatório será considerado na acusação que está sendo preparada contra Fritzl.

Günter Mörwald, diretor da prisão onde Fritzl está recluso, disse hoje ao jornal gratuito "Heute" que o acusado está isolado em uma cela para evitar que seja linchado pelos outros presos.

Segundo a legislação austríaca, Fritzl pode ser condenado a no máximo 15 anos de prisão pelos abusos contra a filha e à prisão perpétua se for provada sua responsabilidade na morte de um dos bebês nascidos em cativeiro.

Apesar de todas as autoridades locais terem afirmado que fizeram tudo "de acordo com a lei", comentaristas do país e estrangeiros não param de expressar suas dúvidas sobre a adoção de três dos filhos de Fritzl por ele e sua mulher, Rosemarie, sobretudo agora com seus antecedentes criminais que reaparecem agora.

Três dos filhos de Elisabeth foram levados para a casa de Fritzl para serem criados como netos, e um deles chegou a ser adotado, enquanto os outros dois foram colocados sob sua tutela.

Os outros três filhos passaram a vida inteira no porão, sem ver a luz do dia.

Kerstin, a filha mais velha de Elisabeth, continua internada em estado grave no hospital de Amstetten, possivelmente por causa de uma infecção originada no cativeiro. EFE jk/wr/db

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