Cativeiro não matou o sonho de Ingrid de chegar à Presidência, diz Pérez

Waldheim García Montoya, SÃO PAULO - O ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez, que foi refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), afirmou hoje em São Paulo que a também ex-congressista Ingrid Betancourt, ainda em cativeiro, mantém viva sua intenção de chegar à Presidência da Colômbia.

EFE |

Após discursar como expositor do Segundo GlobalGreens, Peréz declarou à Agência Efe que "Ingrid é muito inteligente e soube aproveitar os momentos de solidão do cativeiro para avançar e amadurecer em suas idéias políticas".

"Ela vai desempenhar um papel muito importante na política colombiana. Ela tem capacidades como ninguém e conhece o ambiente político", acrescentou o ex-congressista, que passou mais de seis anos seqüestrado pelas Farc.

Pérez, libertado em 27 de fevereiro deste ano, acrescentou que a ex-candidata do Partido Verde Oxigênio da Colômbia na disputa eleitoral de 2002, ano no qual foi seqüestrada, pensa em um Governo que priorize a educação.

"Ela quer um ano especial para cada um dos quatro do mandato presidencial, dedicando o primeiro à mulher, o segundo à infância, o seguinte à terceira idade e o último à educação, que receberá o maior investimento em relação ao PIB (Produto Interno Bruto)", explicou.

O ex-congressista pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais participação na ação humanitária internacional que busca a libertação da ex-candidata e de outros seqüestrados.

"Gostaríamos que (Lula) tivesse um papel protagonista nessa luta.

Ele tem autoridade política e moral para isso, pois vem de uma esquerda moral renovadora e sua intervenção seria oportuna", apontou Pérez, ex-legislador que expôs sua estratégia para a intermediação de Governos "amigos" na libertação dos outros reféns.

O advogado, de 58 anos, lembrou que a libertação de civis não está entre os protocolos do Direito Internacional Humanitário (DIH), pois a retenção de pessoas alheias ao conflito é uma prática vedada pelos organismos internacionais.

Pérez e três ex-legisladores foram libertados pelas Farc em fevereiro passado, depois que o grupo guerrilheiro libertou, em janeiro, a ex-candidata à Vice-Presidência na chapa de Betancourt, Clara Rojas, e a ex-congressista Consuelo de Perdomo.

No entanto, as negociações para outras libertações foram suspensas após a morte de Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", em uma operação do Exército colombiano contra um acampamento das Farc no Equador, em uma ação que gerou tensões entre Bogotá, Quito e Caracas.

Para Pérez, apesar do distanciamento nas negociações com a morte de "Reyes", os diálogos entre essa guerrilha e a comunidade internacional podem ser retomados.

Nesse sentido, destacou os avanços dados pelo Governo colombiano, com a promulgação de um decreto presidencial para alterar a norma em acordos humanitários que exige a assinatura de um documento prévio antes de iniciar esse tipo de gestões.

"Assim, o passo inicial para o acordo seria a libertação de pelo menos mais um civil, que poderia ser Ingrid ou qualquer outro. Já falamos com o presidente (francês) Nicolas Sarkozy e ele está disposto a receber transitoriamente os guerrilheiros trocados pelo tempo que seja necessário", comentou.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Governo da Venezuela se encarregariam do financiamento para a reinserção dos guerrilheiros à vida civil, com programas desse tipo aplicados pelo organismo internacional e pelo país sul-americano.

"Presos naquele lugar vivemos mais a cultura da morte do que da vida, por isso queríamos ser resgatados de qualquer forma, mas, como propõe aqui a 'comunidade verde', rejeitamos qualquer intervenção militar, que seria um fuzilamento", argumentou.

Enquanto isso, o estado de saúde de Betancourt, a quem viu no dia 4 de fevereiro, antes de sua libertação, Pérez indicou: "infelizmente, a deixei em uma situação pior do que as das fotos que ficaram conhecidas no mundo todo".

"Mas, aparentemente, o que não torna a situação menos grave, ela não sofre de hepatite como se havia falado, e sim de uma infecção por amebas", especificou.

Pérez participou do GlobalGreens em companhia do publicitário colombiano Juan Carlos Lecompte, esposo de Betancourt.

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