Castro anuncia cortes sociais e negociará com EUA sem deixar o socialismo

Havana, 1 ago (EFE).- O presidente cubano, Raúl Castro, anunciou hoje mais cortes de despesas sociais, para combater a crise econômica da ilha, e reiterou sua disposição em dialogar com os Estados Unidos, mas sem restaurar o capitalismo nem entregar a revolução.

EFE |

Ao repassar perante a Assembleia Nacional o sombrio panorama econômico do país, lembrou que em abril Cuba rebaixou sua expectativa de crescimento de 6% para 2,5%, mas no primeiro semestre o aumento foi de 0,8%, o que obrigou a reduzir a taxa anual para 1,7%.

O general cubano disse que caíram "significativamente" as exportações de importantes produtos como o níquel, enquanto o turismo "enfrenta o paradoxo" que se aumenta o número de visitantes, mas a receita diminui.

Além disso, assinalou que a crise obrigou a "renegociar" dívidas, pagamentos e outros compromissos com entidades estrangeiras, às quais ratificou a segurança que Cuba cumprirá com os acordos previstos.

"Nas condições de nosso socialismo imperfeito, por causa de insuficiências próprias, muita vezes dois mais dois dá como resultado três", afirmou, após reiterar que a ilha precisa ajustar as despesas com sua receita.

"As despesas na esfera social devem estar em consonância com as possibilidades reais e isso impõe suprimir aquilo que se é possível prescindir. Pode tratar-se de atividades beneficentes, mas simplesmente não estão ao alcance da economia", afirmou.

"Com similar sentido de racionalidade, se adotarão outras decisões em educação, a saúde pública e o resto do setor orçado, dirigidas a gerar despesas que simplesmente resultam insustentáveis, que foram crescendo de ano em ano e que, além disso, são pouco eficazes, ou pior ainda fazem com que alguns não sintam a necessidade de trabalhar", afirmou Raúl Castro.

"Às vezes dá a sensação de que estamos comendo o socialismo antes de construí-lo e queremos gastar como se estivéssemos no comunismo", acrescentou.

Sobre Washington, reiterou que está disposto a falar "de tudo", mas sem renunciar à revolução liderada em 1959 por seu irmão, Fidel Castro, doente há três anos e cuja cadeira vazia estava a seu lado na Assembleia.

"Não me elegeram presidente para restaurar o capitalismo em Cuba, nem para entregar a revolução. Fui eleito para defender, manter e continuar aperfeiçoando o socialismo, não para destruí-lo", afirmou Raúl.

O governante cubano afirmou que essa é sua resposta à secretária do Departamento de Estado americano, Hillary Clinton, por ter condicionado recentemente o diálogo bilateral à expectativa de "mudanças fundamentais" no regime comunista cubano.

Além disso, disse que também responde aos que na União Europeia "reivindicam gestos unilaterais" ao Governo de Havana na direção de desmontar seu "regime social e político".

"Estamos prontos para falar de tudo, repito, de tudo, mas daqui de Cuba e de lá dos EUA. Não a negociar nosso sistema político e social, não pedimos aos EUA que o façam, devemos respeitar mutuamente nossas diferenças", assinalou.

Disse que observou "com atenção" a atitude em relação ao seu país por parte do presidente americano, Barack Obama, ao qual criticou por manter o bloqueio econômico e comercial que Washington impõe a Havana desde 1962, e por continuar incluindo Cuba na lista de promotores do terrorismo internacional.

Além disso, esclareceu que "até este momento não foram implementadas as positivas embora mínimas medidas anunciadas por Obama em abril passado, que derrogavam as restrições de viagens e remessas e facilitavam algumas ações na área das comunicações".

"É importante que isto se conheça porque existem confusão e manipulação na imprensa internacional a respeito", acrescentou.

No entanto, ressaltou que diminuiu a agressividade e retórica anticubana por parte do Governo de Obama, e celebrou o fato de que se tenham retomado as conversas migratórias bilaterais "de forma séria e construtiva".

"Reiteramos a disposição de solucionar as diferenças com os EUA, esclareço que encaramos o assunto com absoluta serenidade e sem apressamento algum. Estamos há 50 anos caminhando no fio de uma faca e somos capazes de resistir outros 50 anos de agressões e bloqueios", disse Raúl.

Entre os assuntos pendentes com o Governo de Washington, lembrou que Cuba não renunciará "jamais" à "devolução incondicional" do território ocupado pela Base Naval de Guantánamo.

Também se referiu à expectativa em alguns círculos de poder norte-americanos que desapareça a "geração histórica da revolução", para ver transformações na ilha, mas insistiu em que "estão condenados ao fracasso" porque os jovens cubanos que lhes sucederão "nunca se desarmarão ideologicamente".

Do VI Congresso do governante Partido Comunista, que estava anunciado para o final do ano e adiou indefinidamente, anunciou que antes acontecerá uma "conferência" para renovar a cúpula, porque a atual foi escolhida para 5 anos e já passaram 12 desde o congresso anterior. EFE arj-am/ma

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