Atlanta (EUA.), 3 out (EFE) - Os casos de raiva humana na América Latina caíram 91% nos últimos 20 anos, segundo números divulgados hoje pela Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) durante uma Conferência de Raiva das Américas, realizada em Atlanta, nos Estados Unidos.

Além disso, a raiva registrada em cães diminuiu 93% nos países latino-americanos nas últimas décadas, informou-se no fórum, no qual participaram pesquisadores e autoridades sanitárias de 33 países.

No entanto, esta doença causa pelo menos 55 mil mortes ao ano no mundo todo, de acordo com a OPAS, e Christina Schneider, representante do organismo regional, disse à Agência Efe que na América Latina ainda são registrados surtos e focos significativos da doença, principalmente pelo contato com animais selvagens.

Brasil, Haiti, Bolívia, El Salvador e Peru estão entre os países que têm mais casos de raiva canina, segundo dados da organização.

A Venezuela registrou, recentemente, um surto de raiva transmitida por morcegos que causou a morte pelo menos 38 indígenas da etnia warao, na zona do Delta do Orinoco, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Por sua vez, entre os países que estiveram livres de raiva canina na última década estão Panamá, Costa Rica, Chile e Uruguai.

A Argentina, que até este ano tinha estado na mesma lista, registrou, em julho, o primeiro caso da doença em humanos após 24 anos, e o México é considerado o próximo país da região a ser declarado "livre" de raiva canina, segundo a OPAS.

Apesar da eliminação da doença nos Estados Unidos, ela ainda é uma ameaça para as pessoas devido ao contágio através de animais selvagens portadores de raiva, e cerca de 45 mil pessoas recebem tratamento profilático preventivo.

Com a redução de casos de raiva em humanos na América Latina, as autoridades sanitárias centram seus esforços na transmissão da doença entre animais domésticos e selvagens para eliminar os focos de infecção que ainda persistem.

"Nossa meta é eliminar todos os casos de raiva humana transmitida por cachorros e, para isso, há um compromisso dos países da região desde os anos 1980 que alcançou diminuir em 90% os casos", afirmou Schneider.

"Na região ainda existe o risco de contágio pelo contato com animais selvagens como morcegos, raposas ou mapaches, e este é um risco que nem sempre as pessoas conhecem", acrescentou.

De acordo com Schneider, as campanhas de vacinação de cachorros, o acesso a atendimento médico e a educação sobre os perigos da doença em comunidades em risco são fundamentais para manter a raiva sob controle na zona.

"É importante a sensibilização de nossas autoridades políticas para sustentar os avanços alcançados até agora, porque se for reduzido o financiamento das atividades de prevenção e controle, vai-se sacrificar tudo o que foi possível", disse à Efe Jorge Luis Gómez Benavides, da Direção Geral de Epidemiologia do Ministério da Saúde do Peru.

Com o objetivo de diminuir a importação e exportação de casos de raiva canina e selvagem na América do Norte, autoridades de México, Canadá e Estados Unidos assinaram hoje o Plano de Manejo de Raiva na América do Norte. EFE mc/db

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