Caso por massacre de Haditha no Iraque está bem perto de acabar em pizza

Um marine com a patente de coronel que seria julgado pelo papel que desempenhou na matança de Haditha, em 2005, foi beneficiado hoje com a decisão do tribunal da Califórnia, que considerou que não há motivo para proceder judicialmente contra ele.

AFP |

O caso entrou na História como o pior crime de guerra de que o Exército americano é acusado no Iraque.

O coronel Jeffrey Chessani, o militar de mais alta posição a ser envolvido em um caso desse tipo desde a invasão do país pela coalizão anglo-americana em março de 2003, era acusado de ter "faltado com seu dever de oficial" e de não "ter transmitido uma ordem legal".

O juiz que deveria presidir o julgamento em corte marcial em Camp Pendleton (130 km ao sul de Los Angeles) decidiu desconsiderar todas as acusações formuladas contra ele, informou um porta-voz da base à AFP.

O massacre foi praticado na manhã de 19 de novembro de 2005 nessa pequena cidade, às margens do Rio Eufrates. Depois de sofrerem uma baixa, causada pela explosão de uma bomba artesanal, os soldados da Companhia Kilo, do US Marine Corps, decidiram se vingar contra a população civil.

Vinte e quatro pessoas foram assassinadas a sangue-frio. Nenhuma delas esboçou qualquer gesto que pudesse representar uma ameaça. Entre as vítimas, estão sete mulheres, três crianças, um bebê de um ano e um idoso. A vingança se prolongou por cinco horas, segundo testemunhas. As versões são as de que, ao invés de punirem os soldados que comandavam, os oficiais os acobertaram.

Chessani é um dos oito marines inicialmente acusados em novembro de 2006, em relação ao caso, mas os promotores tiveram grandes dificuldades para sustentar as provas. Por esse motivo, sete desses militares foram absolvidos, ou tiveram retiradas as acusações que pesavam contra eles antes do início do processo na corte marcial.

Segundo os advogados dos marines, os insurgentes escondidos nas casas dos civis começaram a atirar, e um combate começou, o que estaria dentro das regras para abrir fogo, fixadas pelo alto comando militar.

Já a acusação alega que tais rebeldes não existiam e que, para vingar a morte de seu camarada, os militares dispararam por três horas em Haditha e até atacaram com armas de fogo os cinco ocupantes de um táxi que se aproximava da localidade.

Dos oito marines acusados, quatro eram soldados que estiveram presentes no local dos fatos, e os outros quatro, oficiais, acusados de não abrirem as investigações pertinentes para conhecer as circunstâncias da tragédia.

Até o momento, contudo, três soldados e três oficiais se beneficiaram da retirada de suas acusações.

Após a absolvição de Chessani, hoje, resta apenas um acusado, o sargento Frank Wuterich, que enfrenta várias acusações de homicídio doloso, por sua participação nas mortes de pelo menos nove pessoas.

rcw/sd/tt

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