Caso do rancho da poligamia tem 1ª audiência no Texas

A primeira audiência do caso sobre o rancho de poligamia que abrigava 416 crianças no Texas, Estados Unidos, foi marcada por caos, diz a edição desta sexta-feira do jornal americano The New York Times. No começo do mês, o rancho foi alvo de uma ação policial após acusações de que uma adolescente de 16 anos havia sofrido abusos físicos e sexuais no local.

BBC Brasil |

A Justiça irá decidir sobre a custódia das crianças recolhidas no rancho, que pertence à Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Último Dia (FLDS, sigla em inglês).

Segundo o jornal, a confusão no tribunal foi causada porque se trata de uma audiência coletiva que conta com a presença de cerca de 200 advogados de defesa das famílias envolvidas na seita.

Por causa do tamanho, o júri teve que ser dividido em dois locais diferentes e as provas tiveram que ser copiadas para que todos pudessem analisar os documentos que fazem parte do processo judicial.

A juíza encarregada do caso, Barbara Walther teve que parar a audiência por uma hora para que a primeira prova circulasse entre os interessados e fosse registrada pelo júri.

O New York Times ressalta que os advogados reclamam da audiência coletiva e afirmam que cada família deveria ter uma audiência individual para decidir sobre a custódia das crianças.

Dificuldades
De acordo com o jornal, a principal tarefa do júri será estabelecer se as crianças sofreram abuso ou estavam sob risco de abuso. A dificuldade, segundo o NYT, é reforçada pelo mecanismo das famílias não tradicionais, nas quais as crianças são criadas por várias mães, todas casadas com o mesmo homem.

Apesar de a poligamia ser ilegal nos EUA, os integrantes da seita acreditam que o homem precisa casar com pelo menos três mulheres para subir ao céu. As mulheres, por sua vez, são ensinadas que seu caminho para o céu é a subserviência ao marido.

O NYT traz o depoimento de um dos advogados que participa do caso, Tom Vick, voluntário que representa as crianças. Em entrevista ao jornal, ele disse que a participação em uma seita poligâmica não é a questão central.

"As pessoas querem olhar para isso como um assunto religioso ou uma questão de poligamia. Trata-se de abuso infantil", afirmou Vick.

No entanto, a especialista em direito da criança Jane Spinak, ouvida pelo jornal, afirmou que "o que irá acontecer nesse caso ]e exatamente isso, a cultura religiosa sserá colocada em julgamento".

Mormon
A seita, que tem cerca de 10 mil seguidores e domina as cidades de Colorado City, no Arizona, e Hildale, em Utah, é uma dissidência da igreja Mormon.

O proprietário do rancho onde as crianças foram encontradas, na cidade de San Antonio, é o líder da FLDS, Warren Jeffs, que foi preso em novembro por 10 anos por cumplicidade em um estupro.

Jeffs foi condenado após ter forçado uma adolescente de 14 anos a se casar com um primo.

O líder religioso, que se proclama profeta, aguarda outros julgamentos no Arizona, em que é acusado de ser cúmplice em quatro casos de incesto e conduta sexual com uma menor de idade, fruto de dois casamentos arranjados.

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