Caso de britânicos traz de volta polêmica sobre suicídio

Catalina Guerrero. Redação Central, 25 jul (EFE).- O recente caso de um famoso casal britânico reavivou a polêmica em torno do suicídio, presente na história de personagens tão díspares e complexos como Ernest Hemingway, Adolf Hitler, Judy Garland, Vincent Van Gogh, Cleópatra, Jim Morrison e Frida Kahlo.

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Para uns covardia e para outros um ato valente, o suicídio é uma das principais causas de morte no mundo: são um milhão de casos ao ano, um em cada 40 segundos, segundo a ONU.

Jean-Jacques Rousseau dizia que quando a vida é um mal para alguém e não é um bem para ninguém, é permitido se livrar dela.

Aparentemente, essa foi a conclusão a que chegaram o diretor de orquestra Edward Downes e sua mulher, Joan, que sofria de um câncer terminal, para recorrerem no início do mês ao suicídio assistido numa clínica suíça, após 54 anos juntos.

Condenada com firmeza pelo Catolicismo, o Islã e o Judaísmo, a morte voluntária chegou a ser louvada na Antiguidade, destaca o espanhol Carlos Janín no livro "Diccionario del suicidio", ainda sem tradução para o português.

Uma panorâmica em 460 páginas sobre um complexo fenômeno que sempre acompanhou a humanidade e que reflete "o instinto de morte e autodestruição que opera incessantemente no ser humano".

Entre os que fazem apologia ao suicídio, como Baudelaire e Nietzsche, predomina uma atitude de rebeldia perante o destino, de rejeição de toda fatalidade e de empenho em manter o controle sobre a própria existência até o último suspiro, uma ideia de liberdade.

Há também os que argumentam a partir de um plano científico, afirmando que o suicídio começa já nas células, uma teoria que valeu o Nobel de Medicina a seus criadores, em 2002.

Enforcamento, afogamento, alcoolismo, armas de fogo, atropelamento ou envenenamento: os caminhos para o suicídio são vários.

Com armas de fogo se mataram políticos como Hitler em seu bunker de Berlim e o chileno Salvador Allende, cercado pelos golpistas no Palácio de la Moneda.

Também se mataram com um tiro o escritor Ernest Hemingway, o cantor Kurt Cobain, fundador de Nirvana e o pintor Vincent Van Gogh.

Com um salto ao vazio se mataram a poetisa Safo de Lesbos e o escritor judeu italiano Primo Levi, enquanto o dirigente nazista Rudolf Hess se enforcou.

Muitas são as substâncias tóxicas que podem servir para se matar.

O vocalista do grupo The Doors, Jim Morrison, Sid Vicius, líder do Sex Pistols e Janis Joplin tiveram overdose de drogas.

O filósofo grego Epicuro tirou sua vida com uma bebida, Cleópatra com a picada de uma serpente, a pintora mexicana Frida Kahlo com morfina e o escritor italiano Cesare Pavese com soníferos.

Da mesma forma que a atriz americana Judy Garland, a alemã Marlene Dietrich e seu compatriota Rainer Werner Fassbinder, diretor e ator de cinema, se suicidaram com barbitúricos.

Segundo Janín, ainda que se disfarcem como mortes heróicas no campo de batalha, os de Garcilaso de la Vega e Ernesto Che Guevara são suicídios em sua versão de sacrifício.

Também é citado no livro o suicídio crônico, levado a cabo pelos viciados em drogas e álcool, como os pintores Modigliani, Toulose-Lautrec e Jackson Pollock e o escritor Edgar Allan Poe.

Os suicídios rituais, bastante frequentes nas civilizações da Antiguidade, por imolação ou os mais recentes terroristas suicidas, como os que protagonizaram os atentados do 11 de Setembro, figuram também no dicionário de Janín.

Uma versão recente é o cibersuicídio, protagonizado por pessoas que se conectam à internet para se matar juntos ou, simplesmente, transmitir o ato.

E já frisando riscos futuros aparece o que muitos chamam de "ecocídio" ou suicídio ecológico, termo que designa o "suicídio total" da espécie humana a partir da poluição ou do uso de arma nuclear. EFE cat/rr

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