Casamento na Mauritânia: um negócio caro para os noivos

Maaruf Uld Uda. Nuakchott, 21 abr (EFE).- A longa lista de tradições associadas ao casamento na Mauritânia conseguiu que em um país onde o salário em média não supera os 100 euros dois entre cada três homens evitem se casar por falta de dinheiro.

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Os custos da cerimônia ficam longe dos 2,5 euros que a "sharia" (lei islâmica) estabelece como dote mínimo para a futura esposa e incluem desde os preparativos do casamento até os presentes que devem ser dados a nova família depois.

A presidente da ONG Sael para a inserção e o desenvolvimento de mulheres e crianças, Fatma Mint Denat, explicou à Agencia Efe que o primeiro golpe ao bolso do noivo começa na hora de pedir a mão da pretende, quando os jovens entregam em média 500 mil uguiyas (aproximadamente 1,4 mil euros) aos futuros sogros.

A essa quantidade é preciso somar os 5,6 mil euros que a cerimônia pode chegar e a longa lista de favores que o noivo faz a namorada para sua incorporação a sua nova vida: desde vestidos, bolsas e sapatos até relógios e produtos de beleza.

A recepção que o noivo oferece aos seus amigos no dia do casamento e a festa realizada nas três noites seguintes também contribuem para reduzir a conta bancária do futuro marido, que paga desde o aluguel do apartamento de gala até a maquiagem e o cabeleireiro de sua amada.

No entanto, a essas alturas da festa a sangria econômica ainda não terminou.

Uma semana depois do casamento, a mulher convida seu círculo de amigas para uma sessão de beleza integral financiada pelo marido, cuja generosidade obrigada não parece servir de inspiração ao resto de mauritanos que querem se casar.

Segundo a presidente da Associação de Mulheres Chefes de Família (AMCF), Aminetu Mint el Moctar, dois terços dos homens do país em idade para casar preferem não se comprometer por não ter como bancar essas despesas "exorbitantes".

O fato dos pais da namorada colaborarem em parte com os gastos não parece suficiente para animar os jovens mauritanos.

A partir da chegada do casal ao novo lar, são os sogros que custeiam a mobília da casa e que entregam aos pais e tios do jovem outra longa lista de presentes, que incluem roupas e dinheiro.

Mas uma vez iniciada a vida matrimonial, de novo o marido que é responsável pelas despesas nas principais festas nacionais e religiosas. Na Aid el Kebir ou Festa do Sacrifício cabe a ele custear o cordeiro enviado aos pais e aos sogros.

Perante esta perspectiva, a ordem do dia é buscar alternativas.

Buh Uld Iselmu, solteiro de 35 anos, ganha 380 euros por mês como professor e não descarta se casar com uma jovem da seita dos "duat", que vivem em uma austeridade extrema e consideram que a única despesa necessária no casamento são os 2,5 euros de dote fixados pela "sharia".

Além disso, há aqueles que tendo as despesas com o casamento em vista procuram alternativas muito menos louváveis para achar um par.

Segundo a presidente da AMCF, muitos homens mauritanos se abstêm de casar com mulheres nativas "porque sabem que não podem enganá-las já que estas conhecem perfeitamente seus direitos". EFE mo/pb

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