Casal norte-americano é preso por espionar para Cuba

Por Andy Sullivan WASHINGTON (Reuters) - Um ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA e sua esposa foram detidos por espionarem durante quase 30 anos para o governo cubano, disse o Departamento de Justiça na sexta-feira.

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Walter Kendall Myers, 72 anos, com ajuda de sua esposa, Gwendolyn Myers, 71, usava seu acesso a informações sigilosas para ajudar o governo cubano, e chegou até mesmo a se encontrar com o dirigente Fidel Castro, segundo documentos judiciais.

O casal pode pegar até 35 anos de prisão. Marido e mulher se declararam inocentes e ficarão detidos até uma audiência na quarta-feira, segundo uma fonte do Departamento de Justiça. Um advogado que representa o casal não quis fazer comentários, e o governo cubano não se manifestou.

A prisão ocorre num momento de aparente reaproximação entre Cuba e EUA, após décadas de hostilidade. Em meados de abril, o presidente Barack Obama prometeu um "recomeço" nas relações com Cuba, após suspender algumas medidas incluídas no embargo que vigora há 47 anos contra a ilha.

Segundo documentos judiciais, o casal foi recrutado em 1979 por um funcionário cubano que orientou Kendall Myers a arrumar um emprego no Departamento de Estado ou na CIA.

Myers já trabalhava em meio período no Departamento de Estado desde 1977, e desde 1985 passou a um trabalho de período integral, alcançando um cargo importante como analista especializado em questões europeias até se aposentar, em 2007.

Com seu acesso a informações catalogadas como "Top Secret/CSI", ele tinha acesso diário a informações sigilosas, tendo recebido mais de 200 relatórios de inteligência acerca de Cuba, de acordo com a peça da acusação.

Gwendolyn Myers trabalhava num banco. O casal recebia mensagens do regime cubano por rádio de ondas curtas ou em bilhetes manuscritos entregues por portadores.

Um agente do FBI informou no processo que Gwendolyn Myers deixava respostas em carrinhos de supermercado.

Uma fonte do Departamento de Justiça disse que a motivação do casal era ajudar o governo cubano, e não ganhar dinheiro. O casal teria feito viagens eventuais a Cuba e a outros lugares da América Latina para fazer contatos, e teria chegado a conhecer Fidel em 1995.

(Reportagem adicional de James Vicini e Arshad Mohammed em Washington e Tom Brown em Havana)

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