Casal McCann rejeita reconstruir fatos do caso Madeleine em Portugal

Lisboa, 7 ago (EFE).- O casal McCann e os amigos com os quais passavam as férias em Portugal quando sua filha Madeleine desapareceu não quiseram realizar a reconstituição dos fatos por temerem ser acusados de negligência por deixarem a menina sozinha.

EFE |

Em declarações publicadas nesta quinta pelo "Jornal de Notícias", o porta-voz dos McCann, Clarence Mitchell, afirmou que os advogados aconselharam os médicos britânicos a não irem a Portugal para participarem da iniciativa organizada pela Polícia Judiciária (PJ) portuguesa.

"Os advogados em Portugal aconselharam o grupo a não retornar ao país, pois a possibilidade de ter de enfrentar a Justiça portuguesa por negligência é elevada", declarou Mitchell.

A PJ previu realizar a reconstituição dos fatos que aconteceram na noite em que Madeleine McCann desapareceu do apartamento no qual dormia junto com seus irmãos gêmeos para tentar esclarecer as contradições existentes nas versões do episódio.

O casal britânico poderia ter sido acusado sob as leis portuguesas de negligência ao sair para jantar com amigos e deixar no apartamento, sem a vigilância de um adulto, três filhos de apenas dois e três anos.

No entanto, a Promotoria isentou os pais desta acusação, embora no resumo do caso tenha considerado que, com a rejeição a esta reconstituição, "perderam a possibilidade de demonstrar aquilo que reivindicam desde que foram declarados suspeitos: inocência no trágico acontecimento".

Ante esta alegação, Mitchell afirmou que Kate e Gerry McCann não têm de provar sua inocência, mas a Polícia portuguesa precisa demonstrar que o casal é culpado de algum crime.

"Eles são inocentes aos olhos da lei e não têm de provar sua inocência. O papel da Polícia é provar a culpa dos suspeitos e, neste caso, falhou", declarou.

O resumo do caso Madeleine confirmou que não há nenhuma prova conclusiva sobre as circunstâncias do desaparecimento da menina britânica em maio de 2007, apesar de reconhecer a existência de suspeitas de que os pais tiveram participação na possível morte da menina.

Entretanto, o Ministério Público português ressaltou em seu relatório final que não está provado nenhum dos indícios apresentados pelos detetives, tanto da suposta morte acidental de Madeleine quanto da ocultação de seu cadáver pelos pais.

Os principais elementos de culpa contra Kate e Gerry McCann provinham dos rastros de sangue e cadáver detectados por cachorros nos pertences, no apartamento e no automóvel alugado pelo casal quase um mês após o desaparecimento de Madeleine. EFE abm/fh/fal

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