Casal Kirchner tem prova de fogo diante da ascensão de opositores

A presidente Cristina Kirchner e seu marido, o ex-mandatário Néstor Kirchner (2003-2007), queimarão seus últimos cartuchos nas eleições legislativas de junho, ao lançarem polêmicas candidaturas de governadores e prefeitos frente a uma oposição em franca ascensão.

AFP |

"É muito importante manifestar apoio ao governo. Não posso ser indiferente, tenho que assumir o máximo compromisso", disse Daniel Scioli, o mais popular dos "kirchneristas" e governador da província de Buenos Aires.

Scioli, um ex-campeão de motonáutica, será candidato a deputado pelo partido do governo, acompanhando, possivelmente, a candidatura de Néstor Kirchner, estrategista da campanha, líder do peronismo e governante de fato ao lado da esposa.

A candidatura de Scioli, assim como a do próprio ex-presidente, deve ser resolvida antes do dia 28 deste mês quando termina prazo para a inscrição dos candidatos na Justiça eleitoral.

Scioli integrará a chapa governista mesmo sem renunciar ao governo do maior distrito do país, com 40% do eleitorado.

O governador se candidatará junto com uma plêiade de prefeitos dos populosos municípios, em uma disputa eleitoral que transformará a renovação parcial do Congresso em um referendo da política do casal Kirchner.

"São dois modelos em jogo. Um é o da distribuição de renda, do projeto nacional e popular, e o outro é o de uma direita em que poucos querem controlar tudo", disse Néstor Kirchner em um recente ato partidário.

A estratégia do "kirchnerismo" consiste em concentrar as forças e esperanças na província de Buenos Aires (centro), para contrabalançar esperadas derrotas em outros grandes distritos, como a cidade de Buenos Aires, a província de Córdoba (centro), Santa Fé (leste) e Mendoza (oeste).

No entanto, as críticas são muitas por parte da oposição. O constitucionalista Daniel Sabsay afirmou que as candidaturas de governadores e prefeitos "lesam a vontade popular, que os elegeu para um mandato executivo que devem honrar e cumprir".

Outro constitucionalista, Félix Loñ, disse que "a manobra é bastarda, mas não está proibida legalmente. Mostra o desespero dos Kirchner".

O funeral organizado no início de abril pela morte do ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-1989) causou tanta comoção política que alguns apoiaram a candidatura de um de seus filhos, Ricardo Alfonsín.

Algumas turbulências em uma oposição dividida ficam em segundo plano frente às desventuras do governo, que admitiu que "este será o pior ano dos últimos 100", em meio à queda de popularidade de Cristina Kirchner.

Em junho deverão ser renovados a metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, instituições onde o governo tem maioria.

As eleições, previstas a princípio para outubro, foram antecipadas por decisão do governo de Cristina Kirchner, num contexto de crise econômica mundial, com a economia argentina em forte retrocesso, e um longo conflito com líderes da elite agrária.

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