Os candidatos do partido da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao Congresso Nacional foram derrotados nos principais distritos eleitorais do país, segundo os primeiros dados da apuração oficial das eleições legislativas realizadas no domingo. Se as tendências forem confirmadas, será uma derrota inédita para o kirchnerismo desde que o ex-presidente Nestor Kirchner chegou à Presidência, em 2003.

Ele saiu vitorioso nas eleições legislativas de 2005 e nas presidenciais de 2007, quando sua mulher, Cristina, foi eleita.

Na província de Buenos Aires, que representa 38% do eleitorado nacional, o ex-presidente Kirchner, do Partido Justicialista (peronista) e Frente para a Vitória, teria perdido para o candidato da oposição, Francisco de Narváez, por cerca de 2% dos votos.

Com 88,2% dos votos computados, De Narváez recebeu 34,5% e Kirchner 32,2%. O dado foi considerado uma derrota para o governo, já que a província é o carro-chefe de todas as eleições e o governo contava com uma vitória.

"Perdemos na província (de Buenos Aires) por muito pouco (...) e o mesmo, por muito pouco, ocorreu em outros distritos. Estamos preparados para continuar a governabilidade e a administração da Argentina, com amor", disse Nestor Kirchner, na madrugada desta segunda-feira.

Por sua vez, De Narváez comemorou os resultados, ao lado do prefeito da cidade de Buenos Aires, Maurício Macri, um dos principais opositores do governo.

"Foi uma festa da democracia", disse De Narváez.

'Crítica'
Os resultados também foram favoráveis à oposição nas províncias de Santa Fé, Córdoba e Mendoza â¿ as maiores depois de Buenos Aires â¿ além de Entre Rios e Santa Cruz, terra de Nestor Kirchner.

"O resultado é uma crítica ao governo", disse o analista Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, em Buenos Aires.

Já o analista político Enrique Zuleta Puceiro destacou: "As urnas mostraram que os argentinos votaram por um Congresso pluralista e por um novo país".

Os analisas, no entanto, ressaltam que o casal Kirchner não parece ter o estilo de negociar com a oposição, o que, segundo eles, "seria normal" em uma democracia.

Pelo resultado das eleições, o governo passaria dos atuais 116 deputados para 94, longe do quórum próprio de 129 votos. Já a oposição, com diferentes forças políticas, passaria de 91 para 122 cadeiras na Câmara. O governo também perderia maioria no Senado.

A eleição deste domingo tinha sido antecipada pelo governo - antes, ela estava prevista para ser realizada em outubro.

Os deputados e senadores eleitos, que renovam parcialmente a Câmara dos Deputados e o Senado, assumirão em dezembro próximo.

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