Casal Kirchner: ideias iguais em estilos diferentes

Kirchners foram o 1º casal a transferir o poder de marido para mulher em uma democracia moderna e governam a Argentina há 7 anos

Leandro Meireles Pinto, iG São Paulo |

Foi a militância no peronismo de esquerda que permitiu a Cristina e Néstor Kirchner se conhecer na juventude, nos anos 70. Desde o casamento, em 1975, a relação evoluiu para uma família com dois filhos, de 34 e 21 anos, e para uma impactante carreira política, que possibilitou, em dezembro de 2007, a transferência do bastão presidencial de marido para mulher - fato inédito na história recente.

"Os Pinguins", apelido do casal por causa de sua origem na gélida Patagônia, no sul da Argentina, compartilham a mesma ideologia e militância, cujas conquistas superam até os sonhos mais ambiciosos da dupla.

No que se refere às questões de estilo, porém, eles são totalmente diferentes. Ao contrário de Kirchner, Cristina mostra evidente preocupação com a aparência, o que lhe transformou em alvo de piadas dos humoristas argentinos. Além disso, ela mostra mais interesse nas relações internacionais do que em protagonizar as habituais cenas de políticos beijando crianças em favelas.

AFP
O casal Néstor e Cristina Fernández de Kirchner, em foto de 2009
Carreira política

A vida política de Kirchner começou em 1987, quando foi eleito prefeito da cidade de Río Gallegos, na Provícia de Santa Cruz. Cristina, de 57 anos, entrou para a política dois anos depois, em 1989, quando foi eleita parlamentar de Santa Cruz.

Cristina chegou a Buenos Aires, capital do país e centro da política nacional, antes do marido, em 1991, ao se eleger deputada federal por Santa Cruz. Na capital, ela protagonizou intensos debates no Congresso, onde mais de uma vez dominou seus adversários valendo-se de seus dotes de oradora e de sua bagagem intelectual.

Enquanto Cristina já seguia carreia política em Buenos Aires, Kirchner foi eleito prefeito de Río Gallegos e depois, em 1991, foi eleito governador de Santa Cruz. Kirchner governou a província até 2003, após duas reeleições consecutivas, e foi esse cargo que impulsionou sua candidatura à presidência no mesmo ano.

Eleito presidente em 2003, Néstor Kirchner desistiu de concorrer à reeleição em 2007, apesar de estar em fim de mandato com uma popularidade de 50% - o mais alto nível de aceitação desde a restauração democrática, em 1983.

Na época, analistas políticos especulavam que ele havia favorecido Cristina Kirchner, que então ocupava uma cadeira no Senado, com a perspectiva de voltar ao poder em 2011 e garantir ao clã pelo menos 12 anos consecutivos no poder.

Mas as chances de o plano dar certo diminuíram com a queda da popularidade de Cristina, que se elegeu em 2007 com a maioria de votos em todas as regiões da Argentina, com exceção de Buenos Aires, a área mais rica e populosa do país.

Os bons índices de popularidade do início do mandato caíram pelas denúncias de corrupção contra o casal, pela incapacidade de controlar a inflação e pela tentativa de cobrar um imposto agrícola que desatou um conflito de meses com os ruralistas em 2008. Como é considerada marionete do marido, os desacertos do governo Cristina acabaram manchando a reputação de Kirchner.

De marido para mulher

Kirchner não foi o primeiro presidente argentino a favorecer sua mulher. Em 1951, o general Juan Perón, líder mais reverenciado na Argentina até hoje, tentou colocar sua segunda mulher, Eva Perón, em sua chapa presidencial, mas líderes de seu partido rejeitaram a proposta.

Anos mais tarde, após a morte de Evita – diminutivo pelo qual ficou conhecida –, o general colocou sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, conhecida popularmente como Isabelita, no cargo de vice-presidente. Após a morte do general, em 1974, Isabelita assumiu o país até ser deposta pelo golpe militar de 24 de março 1976.

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