Casal gay argentino acredita que haverá muitas uniões homossexuais

Buenos Aires, 29 dez (EFE).- O primeiro casal homossexual da América Latina a concretizar sua união, na segunda-feira, no extremo sul da Argentina, disse hoje que confia hoje em que haverá muitos casais do mesmo sexo que se casarão em 2010, graças ao precedente aberto por eles.

EFE |

"Estamos incentivando a apresentação de amparos e haverão muitos casais no ano que vem. Não é tão importante ser o primeiro (a se casar). O importante é que tenhamos a lei" que permita o casamento homossexual, disse Alex Freyre, que ontem concretizou sua união com José María Di Bello na cidade de Ushuaia.

Os dois surpreenderam a opinião pública quando anunciaram que tinham se casado na capital da província de Terra do Fogo, 27 dias depois de que não conseguirem em Buenos Aires em meio a uma complexa disputa judicial.

Em declarações ao canal "TN" da televisão local a cabo, Freyre se comprometeu a "defender um direito de todas e todos" que quiserem se casar com uma pessoa do mesmo sexo.

"Já há mais de 30 amparos apresentados na Justiça argentina" por casais homossexuais que querem se casar, disse.

Conjeturou também que haverá juízes que, no futuro, "perderão seus privilégios" por causa da "briga judicial" que a comunidade homossexual promete realizar em defesa de seus direitos civis.

"O que fizeram para adiar o casamento é realmente ilegal, está cheio de vícios. Mas a Constituição Nacional é superior, está acima de qualquer lei", afirmou Di Bello ao canal "TN", ao defender o decreto provincial que permitiu o casamento.

A governadora de Terra do Fogo, Fabiana Ríos, aceitou o "recurso hierárquico" e ordenou ao Registro Civil, mediante um decreto, que casasse Freyre, de 39 anos, e Di Bello, de 41 anos.

"É uma governadora valente. E não vamos ser o último casal a se casar na Terra do Fogo", disseram Freyre e Di Bello, cujo casamento gerou a taxativa rejeição da Igreja e de grupos católicos.

Freyre e Di Bello se casariam em Buenos Aires em 1º de dezembro, quando se lembra o Dia Mundial de Luta contra a Aids - os dois são soropositivos -, mas uma decisão judicial impediu o ato, ao anular outra que autorizava a união, e com isso começou uma polêmica jurídica. EFE ms/an

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