Casais espanhóis sofrem com falta de notícias sobre filhos adotivos no Haiti

Pelo menos 230 casais espanhóis que adotaram crianças haitianas e estavam apenas esperando a emissão dos passaportes dos filhos para irem ao Haiti buscá-los estão vivendo o desespero de não conseguir obter informações sobre paradeiro das crianças. Centenas de internos de orfanatos da capital haitiana, Porto Príncipe, permanecem desaparecidos após o terremoto que devastou boa parte do país caribenho na terça-feira.

BBC Brasil |

"É uma angústia que não acaba. Não dá para acreditar. Quanto mais imagens vemos pela televisão, mais arrasados ficamos", disse à BBC Brasil a espanhola Maria José Atienza, mãe de "Rafita", o filho adotivo de três anos atingido pelo terremoto.

Maria José disse que nem ela, nem o marido, Rafael, dormem desde o dia do terremoto.

Os pais dos menores desaparecidos estão pedindo ajuda ao Ministério de Relações Exteriores espanhol porque em muitos casos nem sabem se seus filhos adotivos estão vivos.

Em todos os casos de adoção, encaminhados por três organizações internacionais, os expedientes estavam terminados, após anos de espera.

'Impotência'
O desespero dos pais adotivos está recebendo destaque nos telejornais espanhóis. Famílias que aparecem chorando, mostrando quartos infantis montados, roupas e brinquedos preparados e fotos dos encontros nos orfanatos de Porto Príncipe.

"É um momento de impotência, aflição e muita dor", disse à BBC Brasil Encarnación Esteban Córdoba, presidente da Associação de Ajuda à Adoção Internacional.

A organização, que tramita processos de adoção em países como Haiti, Honduras, Bolívia e Guatemala, disse que os pais estão desesperados e, mesmo entre os que conseguiram algum tipo de informação que confirme a sobrevivência das crianças, "ninguém pode estar em paz até ter seus filhos em seus braços nessas circunstâncias".

"A primeira preocupação é saber se as crianças estão vivas. A segunda é como estão depois dessa tragédia, se têm água, comida, remédios... e depois achar o paradeiro dos documentos para trazê-los à Espanha, porque é bem possível que os expedientes tenham sido destruídos ou perdidos", disse à BBC Brasil a diretora geral do Instituto Catalão de Acolhida e Adoção, Silvia Casellas.

"Isso cria outro agravante. Teremos que demonstrar que as adoções estavam concluídas", afirmou.

Os casos menos graves são os de famílias que adotaram menores no orfanato Maison Des Anges, em Porto Príncipe.

Segundo informações das instituições espanholas, todas as crianças sobreviveram ao terremoto e foram levadas para duas casas vizinhas que sofreram menos danos.

Mas as associações de adoções afirmam que apesar desta boa notícia, não podem garantir às famílias o estado de saúde das crianças nas próximas semanas, porque dependem da chegada de ajuda humanitária.

No ano passado, famílias espanholas adotaram 731 crianças haitianas.

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