WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, endureceu a retórica nesta sexta-feira em apoio aos manifestantes iranianos contra a polêmica eleição presidencial e criticou o governo de Teerã pela resposta violenta aos protestos.

Os comentários de Obama foram feitos depois de um forte alerta do líder supremo do Irã aos líderes dos protestos e da crítica de parlamentares republicanos, liderados pelo senador John McCain, sobre a morna resposta da Casa Branca aos protestos sobre uma suposta fraude eleitoral.

"Estou muito preocupado, com base no tom dos comunicados que têm sido feitos, de que o governo do Irã reconheça que o mundo está de olho", disse Obama à CBS News.

"E a forma como eles abordam e lidam com as pessoas que estão tentando se fazer ouvir por meios pacíficos, na minha opinião, manda um sinal bem claro para a comunidade internacional sobre o que é e o que não é o Irã."

O líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira que a eleição da semana passada foi vencida de forma legal pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, sem as fraudes alegadas pelo candidato derrotado Mirhossein Mousavi.

Khamenei alertou os líderes dos protestos de que eles serão responsáveis por qualquer derramamento de sangue.

A mídia estatal do Irã tem publicado que sete ou oito pessoas foram mortas em meio ao tumulto iniciado após a divulgação do resultado das eleições, no sábado, que provocou protestos de massa em Teerã.

Na sexta-feira, McCain disse à Reuters que a eleição no Irã foi "corrupta" e pediu que Obama fale com mais determinação a favor dos manifestantes.

Obama vinha sendo menos crítico do que muitos líderes europeus para evitar acusações de interferência e uma possível repressão aos manifestantes em meio à tentativa de seu governo de se aproximar de Teerã para abordar o programa nuclear do país.

Teerã, com quem Washington cortou relações pouco após a Revolução Islâmica de 1979, já acusou os Estados Unidos de emitir comunicados "intervencionistas" sobre a eleição.

"Algo extraordinário"

Nesta sexta-feira, o porta-voz de Obama subiu o tom. "A violência está sendo conduzida pelo governo, certo?", disse Robert Gibbs aos repórteres. "A Guarda Revolucionária: nas fotos que nós vimos na segunda-feira que causaram reação do presidente, eram eles ali."

"Eu acho que definitivamente estamos testemunhando algo extraordinário", disse sobre os protestos. "Não tenho certeza de que alguém, nem mesmo há uma semana, esperasse ver as imagens corajosas que temos visto agora." Mas a Casa Branca evitou criticar diretamente o resultado das eleições.

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