Carter não representa os EUA, diz a Casa Branca

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse hoje que o ex-presidente americano, Jimmy Carter, não representa os Estados Unidos - ao se referir ao plano do ex-presidente de reunir-se com líderes do grupo islamita palestino Hamas.

AFP |

Carter, que promoveu um acordo de paz entre o Egito e Israel em 1979 e que venceu o Nobel da Paz em 2002, visitou nesta segunda-feira a cidade de Sderot (sul de Israel), que vem sendo com freqüencai alvo dos foguetes disparados de Gaza.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, "o presidente Bush acha que se o presidente Carter quiser ir, o fará de maneira privada, como cidadão privado, sem representar os Estados Unidos".

Bush "não apóia a realização de conversações com Hamas", acrescentou ela.

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter defendeu nesta segunda-feira, em Israel, o diálogo com a Síria e com o movimento islamita Hamas, apesar das críticas recebidas por parte de Washington.

"Considero absolutamente crucial que o Hamas e a Síria estejam envolvidos em um acordo final de paz, sonhado e desejado pela região", assegurou Carter, após um encontro com representantes econômicos israelenses na cidade de Lod.

"Mesmo sem um papel de negociador ou de mediador, espero que possamos contribuir para que o conjunto dos palestinos assine um cessar-fogo e fazer avançar a paz à justiça", acrescentou Carter, que no final de semana deve se encontrar com o líder do Hamas, Jaled Mechaal.

Esse encontro foi duramente criticado pelos governos israelenses e dos Estados Unidos. "Tenho dificuldades para compreender o que poderíamos ganhar discutindo a paz com o Hamas, quando o Hamas é o principal obstáculo para a paz", declarou na sexta-feira a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Os dois candidatos democratas à Casa Branca, Barack Obama e Hillary Clinton, também condenaram nesta segunda-feira essa reunião e classificaram o Hamas de "organização terrorista" que deveria ser isolada pela comunidade internacional.

Carter, que chegou no domingo a Israel para uma viagem de nove dias à região, com o objetivo de avançar o processo de paz entre israelenses e palestinos, não foi recebido por nenhum membro do governo hebreu.

Israel também considera o Hamas uma organização terrorista.

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