Carro-bomba mata pelo menos 20 no leste do Afeganistão

Ataque foi executado contra hospital na província de Logas, a cerca de 75 km ao sul da capital Cabul

iG São Paulo |

Um atentado suicida com carro-bomba contra um hospital deixou pelo menos 20 mortos e 53 feridos neste sábado no Afeganistão, indicou o Ministério afegão da Saúde.

Em meio à confusão que se seguiu à explosão, um primeiro registro feito pelas autoridades locais indicava 60 mortos. Os ministérios da Saúde e do Interior, no entanto, revisaram o número de mortos. O número de vítimas fatais difere em veículos internacionais e agências de notícias. Enquanto a BBC fala em 25 mortos, a Associated Press relata que o número de mortos chega a 35.

O atentado executado com um veículo 4x4 carregado de explosivos de forte potência atingiu um hospital da província de Logar, cerca de 75 km ao sul de Cabul. O prédio do hospital do distrito de Azra ficou destruído.

Membros da equipe médica do hospital e pacientes estão entre os mortos. O diretor provincial de Saúde Mohammad Zaref Nayebkhail declarou, no entanto, que o registro definitivo pode ser muito superior, porque muitas pessoas estavam no hospital com os corpos de seus parentes vítimas da explosão. Segundo o chefe do conselho provincial, Abdul Wali Wakil, citado pela agência local "AIP", o ataque destruiu quase por completo o centro hospitalar, localizado no distrito de Zra.

Os talebans negaram a autoria do atentado. "Condenamos este ataque contra um hospital (...) Aqueles que fizeram isso, seja quem for, quiseram manchar os talebans", declarou por telefone o porta-voz do grupo, Zabihullah Mujahid. Staffan de Mistura, representante especial da secretaria-geral da ONU para o Afeganistão, também condenou veemente o atentado. "Grande parte dos estragos foram causados no serviço de maternidade e muitos mortos e feridos são mulheres e crianças", ressaltou.

Segundo as Nações Unidas, 2.777 civis morreram em 2010, ano mais violento desde 2001. Na sexta-feira, um atentado com uma bicicleta-bomba deixou dez mortos em um mercado da província de Kunduz, no norte do país.

Retirada

Na quarta-feira, o presidente Barack Obama anunciou a retirada de 10 mil soldados americanos do Afeganistão em 2011 e outros 23 mil até o fim de setembro de 2012. Segundo Obama, 68 mil soldados americanos ficarão no Afeganistão até 2013, quando forças afegãs devem assumir a segurança.

Para analistas, o plano marca o início da retirada dos militares da Otan do país. Depois do anúncio americano, o presidente da França, Nicolas Sarkozy , também disse que faria uma retirada gradual dos 4 mil soldados do país servindo no Afeganistão.

A Alemanha também já planeja a saída de seus 5 mil militares. Além disso, outros 1,5 mil militares da Espanha devem deixar o país até 2014 , enquanto 10 mil do Reino Unido, o segundo maior contingente, devem sair conforme as condições permitirem, segundo autoridades britânicas.

Violência

No início deste mês, um relatório das ONU indicou um aumento no número de vítimas civis no conflito no Afeganistão. Só em maio, 368 civis foram mortos, o maior número mensal desde que a contagem começou, em 2007.

O ataque desse fim de semana foi o de maior escala dentro de um hospital. No mês passado, um homem-bomba que se suicidou dentro de um hospital em Cabul matou seis pessoas. “O governo e as agências de inteligência deveriam ser capazes de prevenir esse tipo de ataque”, disse um membro do conselho provincial de Logar. “O que há de positivo nisso? Quase toda casa, cada família está luto. É um dia triste.”

*Com informações da BBC Brasil, EFE e AFP

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