Carro-bomba mata mais de 20 e deixa 250 feridos em Lahore

Pelo menos 23 pessoas morreram e 250 ficaram feridas nesta quarta-feira em um atentado suicida com carro-bomba que destruiu um edifício da polícia em Lahore, leste do Paquistão, em um ato que o governo interpretou como uma represália à ofensiva militar contra os talibãs.

AFP |

"Vinte e três pessoas, 11 delas policiais, morreram e 250 ficaram feridas", anunciou Sajjad Bhutta, chefe da administração do município de Lahore, a grande capital cultural do leste do Paquistão.

A explosão, o terceiro ataque nesta cidade do leste paquistanês em três meses, demonstra a ampla rede de violência islamita que nos últimos dois anos provocou a morte de 1.800 pessoas em todo o país.

Pelo menos dois terroristas em um veículo repleto de explosivos tentaram passar por um posto de controle para entrar em um complexo que abriga vários edifícios, como os da polícia de emergência e dos serviços de inteligência paquistaneses, o poderoso ISI (Inter-Services Intelligence) na província.

"De 30 a 35 policiais estavam no edifício e apenas alguns deles saíram feridos. Os demais ficaram presos nos escombros", afirmou o oficial Khalid Baig.

As autoridades informaram que 250 pessoas ficaram feridas no ataque.

O edifício da polícia de emergência foi reduzido a escombros e vários prédios próximos foram consideravelmente danificados.

"Ouvi um tiroteio e depois uma forte explosão", afirmou um policial, estupefato, à frente dos escombros.

"O edifício desabou. Eu estava atrás do prédio e felizmente continuo vivo", acrescentou.

Nenhum grupo reivindicou o ataque, mas as suspeitas apontam para os talibãs e os grupos vinculados à Al-Qaeda, que teriam executado o mesmo em represália pela vasta ofensiva militar paquistanesa contra os insurgentes no vale do Swat, noroeste do país.

"Os inimigos do Paquistão, que querem desestabilizar o país, estão por trás disto após sua derrota em Swat", afirmou o ministro paquistanês do Interior, Rehman Malik.

"É uma guerra e uma guerra por nossa sobrevivência", completou.

O Exército paquistanês iniciou há um mês uma ofensiva devastadora contra os insurgentes nos distritos de Baixo Dir, Buner e Swat, onde segundo os militares já mataram 1.190 talibãs. Segundo a ONU, a ofensiva obrigou quase 2,4 milhões de civis a fugir da região.

O primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, condenou o ataque e acusou os "inimigos do Estado".

Os Estados Unidos criticaram e pressionaram o Paquistão, seu grande aliado regional na luta contra o terrorismo, depois que o presidente paquistanês Asif Ali Zardari autorizou, em meados de abril, a aplicação de um acordo com as milícias talibãs para que a lei islâmica (sharia) entrasse em vigor no vale de Swat em troca de um cessar-fogo.

O Exército iniciou então uma ofensiva para acabar com os insurgentes, que chegaram a apenas 100 km de Islamabad.

str-jm/fp/lm

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