Carro-bomba mata 24 pessoas e deixa 300 feridos em Lahore

Pelo menos 24 pessoas morreram e 300 ficaram feridas nesta quarta-feira num atentado suicida com carro-bomba que destruiu um prédio da polícia em Lahore, leste do Paquistão, num ato que o governo interpretou como uma represália à ofensiva militar contra os talibãs.

AFP |

A explosão, o terceiro ataque nesta cidade do leste paquistanês em três meses, representa mais uma demonstração da violência islamita que, nos últimos dois anos, causou a morte de 1.800 pessoas em todo o país.

Pelo menos dois terroristas em um veículo repleto de explosivos tentaram passar por um posto de controle para entrar em um complexo de vários prédios, entre eles os da polícia e dos serviços de inteligência paquistaneses, o poderoso ISI (Inter-Services Intelligence) na província.

"De 30 a 35 policiais estavam no edifício e apenas alguns deles saíram feridos. Os demais ficaram presos nos escombros", afirmou o oficial Khalid Baig.

O edifício da polícia foi reduzido a escombros e vários prédios próximos foram consideravelmente danificados.

"Ouvi um tiroteio e depois uma forte explosão", afirmou um policial, estupefato, à frente dos escombros.

"O edifício desabou. Eu estava atrás do prédio e felizmente continuo vivo", acrescentou.

Nenhum grupo reivindicou o ataque, mas as suspeitas apontam para os talibãs e os grupos vinculados à Al-Qaeda, que teriam executado a ação em represália à ampla ofensiva militar paquistanesa contra os insurgentes no vale do Swat, noroeste do país.

"Os inimigos do Paquistão, que querem desestabilizar o país, estão por trás disto após sua derrota em Swat", afirmou o ministro paquistanês do Interior, Rehman Malik.

"É uma guerra e uma guerra por nossa sobrevivência", completou.

O Exército paquistanês iniciou há um mês uma ofensiva devastadora contra os insurgentes nos distritos de Baixo Dir, Buner e Swat onde, segundo os militares já foram moros 1.190 talibãs. Segundo a ONU, a ofensiva obrigou quase 2,4 milhões de civis a fugir da região.

O primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, condenou o ataque e acusou os "inimigos do Estado".

Os Estados Unidos criticaram e pressionaram o Paquistão, seu grande aliado regional na luta contra o terrorismo, depois que o presidente paquistanês Asif Ali Zardari autorizou, em meados de abril, a aplicação de um acordo com as milícias talibãs para que a lei islâmica (sharia) entrasse em vigor no vale de Swat em troca de um cessar-fogo.

O Exército iniciou então uma ofensiva para acabar com os insurgentes, que chegaram a apenas 100 km de Islamabad.

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