Por Mohammed Ghobari SANAA (Reuters) - Ao menos 16 pessoas morreram em um ataque à embaixada dos Estados Unidos na capital do Iêmen, Sanaa, na quarta-feira. Entre elas, seis dos responsáveis pelo ataque.

Uma autoridade da embaixada norte-americana confirmou que a explosão foi causada por um carro-bomba e que há registros de mortes.

'Nesta manhã, um carro explodiu diante do portaria principal da embaixada em Sanaa. Houve uma explosão inicial e várias outras secundárias', disse um porta-voz da embaixada à Reuters, por telefone.

'Temos registros de vítimas. Agora, não posso confirmar o número, nem a nacionalidade, nem a gravidade das vítimas.'

Um grupo que se intitula Jihad Islâmica no Iêmen assumiu a responsabilidade pelo ataque e ameaçou repeti-lo em outras embaixadas, incluindo a britânica, a da Arábia Saudita e a dos Emirados Árabes Unidos.

Em um comunicado divulgado na terça-feira, o grupo havia ameaçado empreender uma série de ataques caso o governo iemenita não liberte alguns de seus membros da prisão.

'Nós, a organização da Jihad Islâmica no Iêmen, declaramos ser os responsáveis pelo ataque suicida na embaixada norte-americana em Sanaa', dizia o comunicado.

'Vamos realizar o resto dos ataques no restante das embaixadas citadas anteriormente caso nossas exigências não sejam atendidas pelo governo iemenita.'

Uma fonte de segurança iemenita disse que seis dos responsáveis pelo ataque e quatro pessoas que estavam nas proximidades foram mortos. Os outros mortos são membros das forças de segurança do Iêmen.

O Iêmen, antigo lar de Osama Bin Laden, tem sofrido neste ano com uma série de ataques da Al Qaeda, incluindo outro à embaixada dos Estados Unidos, um perto da missão italiana e mais alguns contra turistas ocidentais.

Um grupo filiado à Al Qaeda assumiu a responsabilidade por um ataque feito em março. Na ocasião, um morteiro foi lançado contra a embaixada norte-americana em Sanaa, mas não a atingiu.

Treze meninas, alunas de uma escola próxima à embaixada, ficaram feridas.

Em abril, os Estados Unidos ordenou a retirada todos os funcionários não-essenciais do Iêmen.

O país se juntou à coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o terrorismo, depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra cidades norte-americanas.

Embora o Iêmen tenha prendido dezenas de militantes ligados às explosões contra alvos ocidentais e autoridades nacionais, o país ainda é visto pelo Ocidente como um refúgio de militantes islâmicos.

Desde 2004, o governo do pobre país árabe também luta contra rebeldes xiitas na província de Saada, no norte do país, além de enfrentar protestos contra o desemprego e a inflação.

(Por Abdul-Rahman Alansi)

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