Atentado acontece um dia depois do Al-Shabab ter prometido a Nairóbi uma retaliação por sua incursão militar na Somália

Um carro-bomba explodiu em Mogadíscio, capital somali, nesta terça-feira, a cerca de dois quilômetros do local onde estavam dois ministros do Quênia, deixando pelo menos quatro mortos. O atentado ocorre um dia depois que rebeldes do grupo militante Al-Shabab prometeram a Nairóbi uma retaliação por sua incursão militar na Somália .

Um soldado do governo somali se aproxima dos restos do carro que explodiu em Mogadíscio
AP
Um soldado do governo somali se aproxima dos restos do carro que explodiu em Mogadíscio

De acordo com a BBC, a explosão ocorreu perto do antigo Ministério das Relações Exteriores e deixou pelo menos quatro mortos, incluindo o suicida que ativou a bomba e seis feridos, que foram levados ao hospital.  "O carro-bomba explodiu entre as pessoas e carros que passavam pela rua. Eu não sei se o seu alvo era a população civil, mas graças a Deus, o prejuízo não foi tão grande", afirmou Mohamed Nor Siyaed.

A União Africana e as tropas somalis que lutam contra a insurgência expulsaram a maior parte dos rebeldes do Al-Shabab para fora da capital somali, mas eles prometeram ataques contra Mogadíscio . No começo do mês, o Al-Shabab lançou um ataque suicida que deixou cerca de cem mortos , a maioria estudantes.

O atentado dessa terça-feira aconteceu enquanto ministros das Relações Exteriores e da Defesa do Quênia, Moses Wetangula e Yusuf Haji, visitaram Mogadíscio para encontrar o líderes somalis após as operações militares no sul da Somália contra o grupo militante. Eles estavam no aeroporto quando o carro explodiu.

Na segunda-feira, o Al-Shabab prometeu que iria lançar ataques terroristas no Quênia se eles não retirassem suas tropas do país. A polícia queniana reforçou a segurança em alguns lugares do centro da cidade, incluindo o bairro somali de Nairobi.

No começo da semana, o governo somali disse não aprovar a pressão do Quênia no país, mas na terça os dois lados concordaram em coordenar conjuntamente operações militares para derrotar os insurgentes. "A recente onda de ataques é um flagrante indicativo de uma mudança na estratégia do Al-Shabab para aterrorizar civis", informou um comunicado assinado pelo Quênia e pela Somália.

Centenas de soldados quenianos entraram na Somália no fim de semana, devido aos sequestros de quatro europeias no território do Quênia, próximo à fronteira somali. Autoridades de Nairóbi disseram que o país tinha o direito de se defender do grupo militante, embora porta-vozes do Al-Shabab tenham negado o envolvimento do grupo nos raptos.

No sábado, autoridades do Quênia disseram que enviariam tropas à Somália. A declaração veio dois dias depois de duas espanholas que trabalhavam no grupo Médicos Sem Fronteiras terem sido sequestradas no campo de refugiados Dadaab, que abriga cerca de 450 mil refugiados.

Em 1º de outubro, somalis armados sequestraram uma idosa francesa em um resort de Lamu, além de ter raptado uma britânica também em um resort da costa do Quênia em setembro. Seu marido foi morto no ataque.

A Somália, um país sem lei nem governo efetivo, está afundada desde 1991 em uma série de episódios de confrontos civis, o que abre espaço para a pirataria, as milícias armadas e os rebeldes extremistas. O Al-Shabab, vinculado à Al-Qaeda, controla boa parte do sul da Somália e trava intensos combates com as milícias locais somalis apoiadas pelas tropas quenianas ao longo da zona fronteiriça entre os dois países.

Com informações da BBC, AP e AFP

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