Carolina do Norte e Indiana põem favoritismo de Obama à prova

Por Steve Holland WASHINGTON (Reuters) - O pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama enfrenta nesta semana dois testes eleitorais na Carolina do Norte e em Indiana, onde terá de provar que não foi afetado pelas recentes polêmicas na disputa contra Hillary Clinton.

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Estrategistas democratas acham que o senador conseguiu superar de forma satisfatória o mês de abril, o pior da sua campanha, marcado pela controvérsia em torno dos sermões do seu ex-pastor e de uma frase do próprio Obama a respeito da 'amargura' dos moradores de pequenas cidades.

'Ele foi realmente afetado, sem dúvida. Mas parece estar se endireitando', disse o estrategista democrata Jim Duffy.

O maior dano foi causado pelo próprio reverendo Jeremiah Wright, ex-pastor da igreja que Obama freqüenta desde 1992 em Chicago. Em entrevistas, Wright retomou várias polêmicas que o candidato já havia deixado para trás, como a tese de que o governo dos EUA propagou deliberadamente a Aids entre negros.

Obama acabou rompendo publicamente com o pastor.

O incidente afetou a intenção de voto em Obama. Pesquisa do Pew Research Center mostrou que ele agora supera Hillary na disputa pela indicação democrata por apenas 47 a 45 por cento -- depois de estar até 10 pontos percentuais à frente.

Mas Obama já acumula uma ampla vantagem no número de delegados para a convenção nacional de agosto. A estrategista democrata Liz Chadderdon acha que Hillary continua com poucas chances, mas ainda se agarra à esperança de um novo tropeço do rival e ao discurso de que ela teria mais chances de vencer a eleição geral de novembro contra o republicano John McCain.

'Ela está esperando pelo remorso do comprador. Ela espera desesperada pela grande gafe, e isso que é interessante: ela ainda não aconteceu', afirmou.

As pesquisas indicam favoritismo de Obama na Carolina do Norte e de Hillary em Indiana, o que faria a disputa interna democrata prosseguir. Uma dupla vitória de Obama poderia selar sua candidatura, enquanto uma dupla derrota tornaria o quadro mais confuso e daria mais argumentos à senadora na caça pelo voto dos 'superdelegados' (dirigentes partidários e ocupantes de cargos eletivos que podem votar em quem quiserem).

Fazendo campanha em Indianápolis, Obama admitiu que o caso Wright foi ruim para sua candidatura, mas afirmou não saber até que ponto. Porém, deu a entender que não espera o fim da disputa já nesta semana. 'Vamos ver o que acontece na terça-feira, e aí vamos continuar até as próximas disputas.'

Analistas dizem que a prolongada disputa democrata é boa para McCain, e que o republicano vai poder reaproveitar várias polêmicas na eventual disputa contra Obama.

'Numa eleição geral, isto é o melhor que poderia acontecer para McCain', disse Andy Smith, professor de Ciência Política da Universidade de New Hampshire.

(Reportagem adicional de Caren Bohan)

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