Carne de porco e derivados não transmitem gripe suína, insiste OMS

Isabel Saco. Genebra, 3 mai (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) garantiu hoje que comer carne de porco ou seus derivados não traz risco de contrair a gripe suína e que também não há perigo no comércio deste produto quando estiver congelado, enquanto manteve o alerta mundial no nível cinco (de uma escala até seis).

EFE |

Esta declaração, que insiste em uma posição que a OMS defende desde a descoberta do vírus da gripe suína nos humanos, foi necessária devido à confirmação de que um criador, que contraiu o A (H1N1) no México, transmitiu a doença a um grupo de porcos da fazenda onde trabalha no Canadá.

O especialista da OMS em Segurança Alimentar, Peter Ben Embarek, disse que os vírus da gripe têm a característica comum de ter muito pouca resistência ao calor, por isso, mesmo que os animais estivessem infectados, o processo de cozimento eliminaria qualquer perigo.

Quanto aos produtos derivados do porco, como presunto, explicou que o prolongado processo de produção deixaria inativo o vírus gripal, que também "não sobrevive muito tempo".

"Não se contrai o vírus comendo porco. Não se deve ter medo, pois não há nenhum risco", disse Ben Embarek, em entrevista coletiva.

Também considerou que não se justificam as restrições ao comércio de carne congelada de porco, porque, sob essa forma, "virtualmente, não há risco de transmissão".

O representante da OMS disse que, para os cientistas, não é surpreendente que uma pessoa tenha transmitido o vírus A (H1N1) aos porcos e que, de fato, estavam praticamente convencidos de que isso aconteceria em algum momento.

Ben Embarek disse que o criador infectou 10% dos porcos de uma fazenda na província de Alberta (Canadá), mas a doença "não parece muito grave" e evolui dentro dos parâmetros esperados.

Segundo Ben Embarek, além do trabalhador infectado, não há notificação de outras pessoas próximas que pudessem ter se contaminado com a gripe suína, enquanto também não há indícios de que a doença tenha aparecido entre porcos de outras criações próximas.

No entanto, o especialista da OMS advertiu que, se a transmissão do vírus de humanos a porcos ocorreu uma vez, isso poderia se repetir em qualquer lugar.

Embora tenha negado qualquer perigo para os consumidores de carne de porco, Ben Embarek admitiu que há riscos para as pessoas que trabalham muito perto ou manipulam esses animais vivos.

"Aqueles com mais alto risco são os que estão em contato próximo com os animais ou seus fluidos corporais", disse.

Sobre a possibilidade de que o vírus da gripe suína possa se combinar geneticamente com o de outros animais, como as aves, o especialista reconheceu que essa possibilidade preocupa o organismo sanitário mundial.

"Por esta razão, é preciso observar a situação dos animais e garantir que a doença não entra nem sai (de uma fazenda)", já que isso causaria sua propagação geográfica, disse.

Em declarações também feitas hoje, o porta-voz da OMS, Gregory Hartl, mencionou que "não é fácil prever" se o nível de alerta pandêmico passará em algum momento do atual nível cinco para o seis, que é o máximo e que revelaria que o mundo está diante de uma pandemia.

Hartl reiterou que a organização não observou um contágio sustentado entre humanos fora da América do Norte (México e Estados Unidos), por isso, o alerta permanece igual, por enquanto.

O porta-voz da OMS reconheceu que, embora na Espanha "tenha sido informado de um aumento de casos, por enquanto, parece que têm o mesmo padrão, ou seja, que o vírus foi 'importado' do México".

Segundo os mais recentes dados da OMS, há 898 casos confirmados de gripe suína - incluindo 20 mortes - em 18 países.

Hartl disse que, se fosse declarada a pandemia, os países teriam que aumentar a atividade clínica, tanto de diagnóstico quanto de tratamento, assim como s medidas de informação, vigilância e controle.

Tudo isso deveria ser acelerado, enquanto a OMS enviaria aos países com maiores necessidades mais reservas do antiviral oseltamivir (Tamiflu), que atualmente é usado para tratar os pacientes infectados.

O porta-voz informou que o Comitê Científico da organização se reunirá amanhã para fazer um balanço "do que sabemos e não sabemos sobre o vírus", e abordar, em particular, o período de incubação do mesmo, sua gravidade e os grupos de pessoas que parecem ser os mais vulneráveis. EFE is/an

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