Carnaval esloveno de Ptuj esbanja tradições pagãs em 50º aniversário

Vesna Bernardic Zagreb, 7 fev (EFE).- Com seus tradicionais desfiles de bufões com máscaras demoníacas, se celebra a partir desse fim de semana o 50º aniversário do carnaval da cidade eslovena de Ptuj, uma mistura entre as celebrações ocidentais e o antigo paganismo eslavo.

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A peculiaridade dessas festas populares consiste em uma fusão entre o carnaval da Europa ocidental, sobre todo o veneziano e o austríaco, e o folclore local, imbuído pela mitologia pagã eslava.

Essa celebração oferece diversos eventos culturais, etnográficos e lúdicos, como festas de máscaras de crianças, um desfile internacional, competições, feiras e exposições com a participação de grupos nacionais e dos países vizinhos.

O carnaval esloveno de Ptuj é celebrado desde 1960 e este ano dura até 16 de fevereiro.

Os carnavais de Ptuj costumam atrair a cada ano milhares de espectadores. De seus desfiles internacionais, participa uma grande multidão de pessoas fantasiadas, procedentes de diversos países vizinhos.

Esses carnavais têm uma grande semelhança aos realizados nessas datas, até 14 de fevereiro, na cidade litorânea croata de Rijeka.

Na Croácia, os camponeses locais chamados zvoncari (sineiros) se fantasiam há séculos como seres horripilantes fantásticos com o objetivo de espantar o inverno, enquanto na Eslovênia personagens de aspecto muito similar assumem o papel de kurenti (bufões).

No início do carnaval, os respectivos prefeitos de Ptuj e Rijeka entregam as chaves da cidade ao "príncipe do carnaval" e a mascarada termina na quarta-feira de cinzas com o enterro do pust, um boneco que simboliza todos os males.

Em Ptuj, a procissão etnográfica é a que melhor preserva a tradição secular e consta de três partes. Começa com os kurenti, que espantam o inverno, seguido de um desfile de fantasias que invoca a primavera e a fertilidade, para terminar com a passagem de figuras grotescas para divertir os espectadores.

Os kurenti são fantoches extravagantes e espantosos que, com sua aparência e o grande barulho que produzem pelos grandes sinos atados a seus cinturões, devem assustar o inverno e as forças do mal.

Um kurenti comum se veste de peles de ovelha, leva cornos de touro, sinos na cintura, uma máscara demoníaca, meias de lã e sapatos pesados. Além disso, empunha na mão esquerda um mangual ou chicote de armas, que se usava na Idade Média.

Outros kurenti típicos se fantasiam com plumas de ave e usam uma máscara com bico ou incorporam elementos diabólicos de influência próxima ao reino animal.

Depois desse desfile, a procissão segue com os personagens que invocam à primavera, o amor, a fertilidade, a exuberância e a plenitude. Por isso, as fantasias constam de folhas verdes, adornos florais, homens que arrastam um arado e que jogam sementes ou representam outras atividades de lavoura.

Os atos lúdicos terminam com a passagem de figuras grotescas, ciganos alegres que predizem o futuro e mendigos excessivamente mal vestidos que saem às ruas e fazem farras e palhaçadas.

Com estas brincadeiras no final da procissão se tenta evocar que, seja o ano bom ou mau, a temporada, fértil ou erma, sempre deve tomar-se a vida com humor e graça.

O enterro do pust, o boneco que simboliza todos os males, a quarta-feira de cinzas, marca o fim do inverno na Eslovênia, dos costumes pagãos e do carnaval, e o retorno ao mundo cristão, à espera da celebração da Páscoa. EFE vb/sa

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