Por Andrea Hopkins CINCINNATI, EUA, 1o (Reuters) - Embora este seja rotulado o ano das mulheres na política norte-americana, a escolha de Hillary Clinton como secretária de Estado do governo de Barack Obama agrada e desagrada as mulheres ao mesmo tempo.

"Não vou dizer que estou conformada, mas estou feliz porque ela conseguiu um cargo para o qual é boa", disse Barbara Hynd, 69, pesquisadora aposentada de Cincinnati. "Acho que ela seria uma boa presidente".

"Acho que isso é ótimo para Hillary. Temos um sinal de alívio, já que ela conseguiu uma posição elevada", disse Carol Jenkins, presidente do Centro de Mídia Feminina, em Nova York.

O ano de 2008 não será lembrado apenas como aquele em que o primeiro negro chegou à Presidência dos Estados Unidos, mas também como o ano em que uma mulher quase chegou à presidência e outra mulher, Sarah Palin, quase obteve a vice-presidência.

No entanto, a campanha foi marcada por estereótipos. Clinton foi retratada como uma megera durante as primárias, enquanto Palin foi considerada apenas um rostinho bonito na chapa de John McCain.

"Não há dúvidas de que esta campanha mostrou que a mídia, os líderes dos partidos e os eleitores são extremamente tendenciosos em relação ao sexo", disse Stacy Mason, diretora-executiva da WomenCount, uma organização progressista. "Este não foi o ano das mulheres coisa nenhuma".

O número de mulheres a integrar o Congresso a partir de janeiro também é baixo -- uma no Senado e três na Câmara. Agora, haverá 17 mulheres no Senado, cujo total é de 100 pessoas, e 74 na Câmara de 435 membros.

"É um número muito, muito triste... Os Estados Unidos ainda estão em 83o lugar no ranking de países com maior número de mulheres eleitas", disse Mason.

O fato de Hillary ser a terceira mulher a ocupar o cargo de secretária de Estado -- as outras são Condoleezza Rice e Madeleine Albright -- confirma a sensação de que, embora as mulheres tenham avançado em 2008, elas ainda estão longe de uma ruptura.

"Secretária de Estado se tornou o cargo feminino -- um lugar seguro para colocar as mulheres. Em um mundo ideal, veríamos mulheres como secretárias do Tesouro e em outros altos cargos (do governo)", disse Jenkins.

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