Cardeal tentou proteger Bento XVI de escândalo de pedofilia

O atual número dois do Vaticano tentou abafar o escândalo de um sacerdote americano acusado de ter molestado 200 crianças surdas, segundo documentos divulgados nesta segunda-feira pela revista alemã Die Zeit.

AFP |

De acordo com o semanário, que publica uma cópia de documentos do Vaticano, o cardeal italiano Tarcisio Bertone, atualmente secretário de Estado da Santa Sé, tentou "frear" a investigação do caso.

A denúncia surge mais de uma semana depois de o jornal americano The New York Times  ter afirmado que o papa, quando era o cardeal Joseph Ratzinger, ignorou nos anos 90 as denúncias em relação a Lawrence Murphy, que trabalhou em uma renomada escola para jovens surdos entre 1950 e 1974 em Wisconsin, no norte dos EUA.

Durante reunião de crise convocada em 1998 no Vaticano sobre o caso do padre Murphy, Monsenhor Bertone impôs empecilhos contra "a eventualidade de um processo no seio da Igreja", segundo a ata da sessão.

O religioso insistiu "na dificuldade do processo sobre o crime, que deveria ser tratado no mais absoluto segredo", segundo o documento, porque teria sido igualmente difícil reconstituir depoimentos e provas "sem ampliar o escândalo".

Pretendeu, dessa maneira, na época, "evitar um escândalo que chegasse a seu chefe", o cardeal Ratzinger, que dirigia a Congregação para a Doutrina da Fé (1981-2005), segundo a Die Zeit.

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