Cardeal diz que papa rompeu silêncio sobre pedofilia

Cidade do Vaticano, 27 mar (EFE).- O cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, reconheceu hoje que a Igreja se calou algumas vezes em casos de padres pedófilos e que foi Bento XVI quem rompeu o silêncio.

EFE |

"Desde sua época de cardeal, o papa já considerava a necessidade de novas regras, mais severas, que antes não existiam, para enfrentá-los. Que agora alguns diários usem esses terríveis casos para atacá-lo frontalmente é algo que supera qualquer tipo de justiça e lealdade", disse Kasper em declarações publicadas hoje pelo jornal italiano "Corriere della Sera".

O cardeal alemão assegurou que "jamais" o papa proibiu a denúncia de padres pedófilos e nunca deu ordens para que esses casos fossem escondidos.

Segundo Kasper, "é preciso ser honestos" e, como o papa lembrou em carta aos católicos irlandeses, é necessário "reconhecer" que houve casos de sacerdotes pedófilos nos quais se calou com o interesse de defender o bom nome da Igreja.

Para Kasper, a carta do papa aos irlandeses é "muito valente".

O cardeal disse que a primeira preocupação da Igreja deve ser com as vítimas e também "com mudar o rumo e ser mais atento".

"Precisamos de uma cultura de maior coragem, de fazer limpeza", afirmou Kasper, que se mostrou convencido de que o caminho empreendido pelo papa nesse campo "é irreversível".

Kasper criticou duramente o teólogo dissidente Hans Kung, que foi colega do papa, por suas críticas a Bento XVI pelos casos de pedofilia. EFE jl/rr

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