Cardeal diz que indulgências não devem dividir católicos e protestantes

Cidade do Vaticano, 6 mar (EFE).- As indulgências na Igreja Católica atual não tem nada a ver com as do século XVI que propiciaram a Reforma Protestante, disse o cardeal Walter Kasper, que disse que só se trata de uma ajuda para a penitência de cada cristão e que não devem dividir católicos e protestantes.

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Kasper, que é presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, assim se manifestou em artigo publicado no jornal "L'Osservatore Romano", no qual comenta as críticas protestantes às indulgências concedidas por Bento XVI por causa do atual Ano Paulino, em comemoração dos dois mil anos do nascimento de São Paulo.

O cardeal manifestou que ainda para muitos cristãos indulgência e ecumenismo parece que não podem estar de acordo e que as controvérsias por causa da indulgência que deram lugar às teses de Lutero em 1517, das quais surgiu a Reforma Protestante, propiciaram "um trauma cujos efeitos ainda são percebidos".

Após assinalar que a "irritação" evangélica "pela persistente prática católica" das indulgências é também compreensível, o cardeal disse que hoje em dia "não se pode colocar em dúvida que as indulgências, pelo menos na prática, não são como as do século XVI".

Kasper disse que a prática da indulgência só se compreende se estiver ligada com o sacramento da penitência, "já que se trata de um oferta de ajuda pastoral e misericordiosa da Igreja para a penitência de cada cristão".

Segundo o cardeal, embora a prática da indulgência tenha levado à divisão da igreja no Ocidente ela tem "muitos mais elementos comuns (entre católicos e protestantes) do que parece, já que a indulgência lembra a necessidade de salvação e que esta pode ser realizada somente através de Jesus Cristo".

A indulgência é a redução ou eliminação das penas que derivam de se ter cometido um pecado e que pode ser obtida em determinadas condições sempre que se esteja em estado de graça.

Elas apareceram pela primeira vez em 1091 e permitiam comutar a penitência por obras públicas, como a construção de igrejas.

Os papas Alexandre II e Urbano II as ofereceram a todos aqueles que participavam das cruzadas e Bonifácio VIII, o papa que convocou o primeiro jubileu em 1300, as relacionou com este ano santo.

Após a reforma desta prática, o Vaticano considera que o propósito da indulgência é além de ajudar os fiéis a descontar as penas do pecado, impulsioná-los a realizar ações de piedade, de penitência e de caridade.

Além disso, para que não restem dúvidas e para superar a má fama comercial que as acompanhava, o Vaticano insistiu várias vezes que elas são de graça. EFE jl/ma

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